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Fala de ex-delegado reacende caso envolvendo Paulo Sandro e cobra resposta sobre investigação em Barra Mansa

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
29 de ago.
4 min de leitura

Uma declaração do ex-delegado titular da 90ª DP de Barra Mansa Michel Floroschk voltou a colocar sob os holofotes um episódio que provocou forte repercussão política e policial no município. Ao recordar uma investigação conduzida durante sua passagem pela cidade, o delegado cobrou esclarecimentos sobre o destino das apurações e questionou por que um caso que, segundo ele, apresentava elementos considerados robustos não teria avançado da maneira esperada.

Na fala, Floroschk menciona suspeitas relacionadas à atuação de um grupo, possível organização criminosa e eventual utilização de recursos com reflexos eleitorais. O delegado ressalta, entretanto, que investigação serve justamente para esclarecer responsabilidades e que o procedimento pode, inclusive, concluir pela inexistência de crime ou participação de pessoas inicialmente citadas.

A cobrança ganha peso porque o nome do vereador Paulo Sandro Soares, atual presidente da Câmara Municipal, já esteve no centro de um duro confronto público com Floroschk.

Em outubro de 2024, Paulo Sandro utilizou a tribuna do Legislativo para atacar o então delegado, chegando a chamá-lo de “covarde” e questionando sua atuação em uma investigação relacionada ao desvio de luminárias e materiais elétricos pertencentes ao município. O embate ganhou grande repercussão depois que Floroschk respondeu publicamente às críticas.

Dias depois, porém, ocorreu uma mudança significativa de postura.

Paulo Sandro voltou à tribuna e pediu desculpas ao delegado. Em seu pronunciamento, reconheceu que havia se excedido e afirmou que algumas das declarações feitas anteriormente não correspondiam à verdade.

O episódio está registrado pela imprensa regional e permanece relevante justamente porque revela o tamanho do confronto estabelecido entre uma autoridade policial responsável por investigações no município e um dos políticos mais influentes da Câmara de Barra Mansa.


O caso das luminárias


A investigação mencionada naquele período não surgiu do nada.

Em setembro de 2022, a Polícia Civil prendeu temporariamente um servidor da Prefeitura de Barra Mansa suspeito de comandar um esquema de desvio de materiais da Secretaria Municipal de Manutenção Urbana.

Na época, foram investigados desaparecimentos de luminárias de LED, lâmpadas, reatores e outros equipamentos públicos. Segundo Michel Floroschk, que comandava a 90ª DP, havia denúncia de que luminárias pertencentes ao município estariam sendo instaladas mediante pagamento.

A apuração contou inclusive com informações produzidas por setores internos da própria Prefeitura. O servidor investigado foi indiciado, à época, por crimes como peculato, furto, receptação imprópria e associação criminosa.

É nesse contexto que posteriormente surgiram os questionamentos políticos e a reação pública de Paulo Sandro.


Se havia elementos, Barra Mansa merece saber o desfecho


A nova fala de Floroschk traz uma pergunta que não pode simplesmente desaparecer com o tempo: afinal, qual foi o destino completo daquela investigação?

Não se trata de condenar antecipadamente Paulo Sandro ou qualquer outra pessoa. O princípio da presunção de inocência precisa ser respeitado. Investigado não é condenado e suspeita não equivale a culpa.

Mas a mesma cautela jurídica que impede uma condenação pública sem sentença também não pode ser utilizada como desculpa para colocar investigações relevantes em uma gaveta.

Se não existiam provas contra determinado político, que isso seja esclarecido.

Se existiam indícios e eles foram posteriormente descartados, a sociedade precisa conhecer as razões.

Se houve encaminhamento ao Ministério Público, é legítimo perguntar quais providências foram adotadas.

E, caso existam diligências ainda pendentes, também é razoável cobrar uma conclusão.

O que não é saudável para uma cidade é deixar pairando indefinidamente dúvidas sobre um caso envolvendo patrimônio público e agentes políticos.

Paulo Sandro volta ao centro de questionamentos


A situação se torna ainda mais sensível pelo espaço político ocupado por Paulo Sandro.

O vereador está no comando da Câmara desde 2023 e foi reconduzido sucessivamente à presidência. Em julho deste ano, a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Volta Redonda recomendou seu afastamento imediato da presidência, entendendo que sua permanência consecutiva no posto contrariaria a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre reconduções às Mesas Diretoras.

O Ministério Público também recomendou a anulação da eleição realizada antecipadamente em março de 2025 para a presidência referente a 2026 e a realização de uma nova escolha.

Trata-se de outro caso, independente da investigação policial lembrada por Floroschk. Mas ele reforça a necessidade de transparência sobre a atuação de quem ocupa um dos cargos políticos mais importantes de Barra Mansa.

Um presidente de Câmara tem poder administrativo, influência política e responsabilidade institucional muito superiores às de um parlamentar comum. Por isso, quanto maior o poder exercido, maior precisa ser a disposição para prestar contas e responder aos questionamentos públicos.


O pedido de desculpas não apagou as perguntas


Quando Paulo Sandro pediu desculpas a Michel Floroschk em 2024 e reconheceu o excesso de suas declarações, o confronto pessoal aparentemente terminou.

Mas investigação criminal não pode terminar porque dois personagens fizeram as pazes.

Caso existam fatos ainda sem esclarecimento, eles pertencem à sociedade — e não ao delegado, ao vereador ou a qualquer grupo político.

A própria fala recente de Floroschk demonstra que, para ele, continuam existindo perguntas relevantes sobre aquilo que foi apurado naquele período.

E é justamente aí que Ministério Público, Polícia Civil e demais instituições precisam oferecer respostas.

Barra Mansa não precisa de julgamentos precipitados. Precisa de conclusões.

Se Paulo Sandro não teve participação em irregularidades, que isso seja colocado de maneira inequívoca e fundamentada.

Se houver elementos que justifiquem aprofundamento das apurações, que elas prossigam independentemente da posição política dos envolvidos.

O que não deveria ser aceitável é o silêncio.

Porque, quando uma investigação envolve suspeitas sobre patrimônio público, possíveis interesses políticos e pessoas que exercem poder dentro das instituições, a resposta não pode depender da memória curta da sociedade.

A pergunta lançada pelo ex-delegado permanece: o que, afinal, aconteceu com esse caso?

Foto Arquivo


 
 
 

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