Falta de professores expõe descaso com a educação em Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 21 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A cena se repete desde o início do ano letivo em Barra Mansa: escolas municipais sem professores em disciplinas essenciais, alunos sem aula e famílias aflitas diante de um problema que parece não ter fim. A denúncia ganhou força após Michely Soares, mãe de estudante, gravar um vídeo pedindo diretamente ao prefeito que coloque professores nas salas de aula. O apelo dela traduz o sentimento de impotência de pais que veem os filhos perderem conteúdo e acumularem prejuízos para o futuro.
O peso do abandono escolar
Em muitas unidades, crianças passam horas sem atividades pedagógicas. Quando não são liberadas mais cedo, ficam apenas “entretenidas”, sem contato real com o aprendizado. Para especialistas, a perda de meses de estudo gera lacunas que dificilmente serão reparadas e podem comprometer desde avaliações escolares até oportunidades em concursos e no mercado de trabalho.
Sindicato confirma crise crônica
O Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação) aponta que a situação não é novidade. A rede municipal sofre há anos com a baixa remuneração, condições precárias de trabalho e infraestrutura defasada. Isso faz com que Barra Mansa seja pouco atrativa para professores, que acabam migrando para municípios vizinhos.
Em março, os profissionais de educação chegaram a entrar em greve pedindo salários dignos e melhorias estruturais. O movimento foi encerrado, mas a prefeitura não apresentou soluções concretas. Resultado: as escolas continuam desfalcadas.
Falta até material básico
Além da ausência de docentes, há denúncias de que professores têm custeado do próprio bolso itens básicos de higiene e materiais necessários ao dia a dia escolar. A situação reforça a percepção de abandono e descaso com a rede pública.
Prioridade política
Pais e sindicato concordam que o problema não é a falta de recursos. O município recebe milhões em repasses federais para a educação. O que está em jogo, segundo eles, é a má gestão e a ausência de prioridade política.
O alerta de Michely e a pressão do Sepe evidenciam que não se trata de casos isolados, mas de um colapso em toda a rede municipal de ensino. Enquanto a prefeitura não apresenta respostas concretas, quem paga a conta são os alunos — e, por consequência, toda a cidade, que vê sua educação afundar em descaso.




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