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Vereador do Rio é preso em operação contra lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi preso nesta quarta-feira (11) durante uma grande operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que investiga um esquema de lavagem de dinheiro associado à facção criminosa Comando Vermelho. A ação também levou à prisão de cinco policiais militares suspeitos de participação no esquema.


As investigações são conduzidas pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro. Segundo os investigadores, o parlamentar teria buscado apoio de integrantes da facção para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste da capital, durante as eleições municipais de 2024.


De acordo com a apuração policial, Salvino teria procurado o traficante Edgar Alves de Andrade, apontado como uma das principais lideranças do grupo criminoso, para conseguir autorização para circular na região e pedir votos.


Em troca, conforme a investigação, o vereador teria atuado para facilitar benefícios ao grupo dentro da comunidade. Entre as medidas citadas pelos investigadores está a instalação de quiosques na área, apresentadas publicamente como iniciativas voltadas aos moradores.


Ao chegar à delegacia, Salvino negou qualquer envolvimento com a organização criminosa.


“Eu entrei na política para mudar a vida das pessoas e estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, afirmou.


Trajetória


Nascido em 24 de dezembro de 1997, no Rio de Janeiro, Salvino Oliveira cresceu na comunidade da Cidade de Deus, na Zona Oeste. Em relatos públicos, costuma mencionar as dificuldades financeiras enfrentadas na infância e adolescência.


Aos sete anos, ingressou no tradicional Colégio Pedro II após ser selecionado por sorteio. Durante os anos de estudo, trabalhou em diferentes atividades informais, como vendedor ambulante e recepcionista em casas de festa.


Em 2018, passou a estagiar na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e também atuou como pesquisador no Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec). Em 2023, concluiu graduação em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Atuação antes da política


Antes de disputar eleições, Salvino participou da criação do coletivo Perifa Connection, voltado à comunicação e articulação política nas periferias, com foco em oportunidades para jovens.


Em 2021, durante o terceiro mandato do prefeito Eduardo Paes, foi convidado a assumir a recém-criada Secretaria Especial da Juventude Carioca, tornando-se o primeiro titular da pasta e também o secretário mais jovem da história da prefeitura.


À frente da secretaria, lançou programas voltados à formação e inclusão de jovens de comunidades. Entre eles está o Pacto pela Juventude, realizado em parceria com a Unesco, que oferece capacitação e auxílio financeiro para jovens líderes comunitários desenvolverem projetos locais.


Outra iniciativa foi a criação dos Espaços da Juventude, centros públicos de capacitação tecnológica com cursos ligados à chamada indústria 4.0, incluindo operação de drones, programação e design de games.


Eleição para a Câmara


Nas eleições municipais de 2024, Salvino foi eleito vereador do Rio de Janeiro pelo PSD com mais de 27 mil votos.


Entre suas propostas apresentadas no Legislativo está um projeto voltado à regulamentação do aluguel por temporada na cidade, com regras para o setor e compartilhamento de dados por plataformas de hospedagem.


Outros alvos da operação


A operação policial também tem como alvo Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa de Marcinho VP e mãe do cantor Oruam, que está foragida. Segundo a polícia, ela e um sobrinho, Landerson Lucas dos Santos, seriam responsáveis por intermediar comunicações da facção.


Mesmo preso há quase três décadas, as investigações indicam que Marcinho VP ainda exerce influência dentro da estrutura do Comando Vermelho, sendo apontado como integrante do chamado conselho permanente da organização.


Estrutura da investigação


Batizada de Operação Contenção Red Legacy, a ação busca desarticular uma rede suspeita de integrar membros da facção, policiais e agentes políticos em crimes como organização criminosa armada, corrupção policial e lavagem de dinheiro.


A operação conta com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de diversas delegacias especializadas. Segundo os investigadores, a facção apresenta uma estrutura hierárquica organizada, com cargos definidos, conselho deliberativo e regras internas.


Entre os integrantes investigados estão Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como responsável pela gestão financeira do grupo, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, acusado de executar determinações da liderança criminosa.



 
 
 

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