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Festival da Pinga em Paraty: tradição centenária não pode deixar a segurança em segundo plano

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 46 minutos
  • 2 min de leitura

Paraty tem uma relação histórica com a cachaça que atravessa séculos. Acredita-se que a produção em alambiques tenha começado na região por volta de 1600 e, durante o período colonial, a aguardente paratiense ganhou tanta fama que o próprio nome “Paraty” passou a ser utilizado como sinônimo de cachaça. A bebida chegou até à música popular brasileira e hoje representa uma das marcas culturais e gastronômicas mais importantes do município.


A tradição também ganhou reconhecimento oficial. A cachaça produzida em Paraty recebeu registro de Indicação de Procedência do INPI em 2007 e, posteriormente, evoluiu para Denominação de Origem, reforçando a identidade e a autenticidade da produção local. Dos mais de cem alambiques que chegaram a funcionar no município, atualmente apenas alguns permanecem em atividade e abertos à visitação, mantendo a produção artesanal.


É justamente por toda essa história que o Festival da Cachaça, Cultura e Sabores, realizado tradicionalmente em agosto desde 1983, deveria ser tratado com o máximo cuidado em sua estrutura e segurança.


Na edição deste ano, porém, chamou atenção a circulação de garrafas de vidro dentro de uma área destinada a receber milhares de pessoas. A situação preocupa ainda mais porque havia uma orientação de que recipientes de vidro não poderiam entrar no evento, mas bebidas em garrafas long neck passaram a ser comercializadas no interior da área.


Em uma multidão, uma garrafa quebrada não é apenas lixo. Pode provocar cortes, quedas, pânico e até uma reação coletiva perigosa. Em um espaço superlotado, qualquer princípio de confusão pode ganhar proporções imprevisíveis.


Também houve preocupação com a estrutura de circulação: espaço aparentemente pequeno diante do público, poucas alternativas de saída, dificuldade de acesso aos banheiros e insuficiência de lixeiras. No sábado, a ampliação da área livre com o reposicionamento das grades ajudou a melhorar a circulação, mas também levantou uma questão inevitável: por que essa adequação não estava pronta desde o início?


Paraty merece um festival à altura de sua história. A cachaça que virou símbolo da cidade, inspirou músicas e conquistou reconhecimento internacional não pode estar associada a uma festa cuja segurança seja colocada em segundo plano.


Tradição se preserva com cultura, qualidade e, acima de tudo, responsabilidade. Em evento para milhares de pessoas, segurança não pode ser improvisada.

Foto Reprodução


 
 
 

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