Filme sobre Bolsonaro custou R$ 75 milhões e entra no foco de investigação sobre contrato milionário em São Paulo
- Marcus Modesto
- há 7 dias
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A produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, movimentou cerca de R$ 75 milhões, segundo informações apresentadas à Justiça pela produtora Go UP Entertainment. Os dados foram anexados a uma investigação que apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil para a implantação de pontos de acesso à internet em espaços públicos da capital.
De acordo com a documentação entregue aos investigadores, aproximadamente R$ 54 milhões foram aplicados no exterior, enquanto R$ 20,9 milhões foram gastos no Brasil, totalizando US$ 13,39 milhões investidos na realização do longa-metragem.
A apuração busca verificar se houve qualquer ligação entre os recursos do contrato público e o financiamento da obra cinematográfica. A defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela ONG e também ligada à produtora do filme, apresentou um laudo pericial sustentando que todo o dinheiro empregado na produção teve origem privada.
Segundo o relatório, foram analisados contratos de investimento, movimentações bancárias e registros de transferências financeiras que comprovariam a procedência dos valores utilizados. Após a inclusão do documento no processo, os autos passaram a tramitar sob segredo de Justiça.
Embora a perícia aponte a origem privada dos recursos, o material não detalha os investidores envolvidos nem aborda informações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro ou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujos nomes foram mencionados em reportagens sobre o financiamento do projeto.
O laudo informa ainda que os recursos destinados ao filme foram aportados pelo fundo norte-americano Havengate Development Fund LP. A empresa é associada ao advogado Paulo Calixto, conhecido por atuar na área de imigração e por sua proximidade com integrantes do grupo político do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.
Paralelamente à investigação conduzida pela Polícia Civil, a Controladoria Geral do Município de São Paulo instaurou um procedimento administrativo para apurar se houve eventual utilização indevida de recursos públicos na produção cinematográfica.
A corregedora-geral do município, Carolina Magnani Hiromoto, solicitou acesso ao material reunido pelos investigadores. O compartilhamento das provas foi autorizado, e a apuração administrativa também segue sob sigilo.




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