Flip reafirma papel transformador da literatura diante do desafio de reconquistar leitores no Brasil
- Marcus Modesto
- 25 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Com curadoria de Ana Lima Cecilio em 2024 e 2025, festa literária aposta na pluralidade e no acesso para resistir ao desinteresse nacional pelos livros
Enquanto o Brasil enfrenta uma queda preocupante nos índices de leitura, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) surge mais uma vez como um farol de resistência cultural. Sob a curadoria da editora Ana Lima Cecilio, a edição atual da Flip reafirma sua missão de não apenas celebrar a literatura, mas de provocá-la – e utilizá-la – como ferramenta para expandir consciências, formar novos leitores e criar pontes entre tempos, territórios e sensibilidades.
Formada em Filosofia pela USP, Ana Lima tem mais de duas décadas de atuação no mercado editorial, com passagens por casas como Carambaia e o selo Biblioteca Azul, da Globo Livros. Agora, assume a responsabilidade de desenhar, de forma autônoma, as 20 mesas do Programa Principal da Flip, reunindo vozes consagradas e emergentes da literatura. O foco é claro: fazer da festa um organismo vivo, sempre em movimento, capaz de refletir as urgências e complexidades do nosso tempo.
“A trajetória de Ana Lima reflete sua paixão pela literatura, essa poderosa ferramenta para a compreensão do mundo e para a construção de pontes entre culturas, pessoas, cidade e natureza”, avalia Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip. Para ele, a curadora reúne a sensibilidade necessária para dialogar com o público leitor e encarar o atual momento de desinteresse pelo livro como um chamado à ação.
Ana reconhece que a literatura não oferece respostas fáceis, mas insiste em seu valor como linguagem de reflexão. “A literatura, muito já se disse, ainda que seja a expressão genuína de uma época, não tem uma utilidade tão óbvia. Mas, enquanto criação, é um instrumento maravilhoso de expansão das nossas fronteiras, de encontro entre ideias e pessoas”, afirma.
A Flip também aposta em democratização real do acesso ao conhecimento. A cada edição, 10% dos ingressos do Auditório da Matriz são distribuídos gratuitamente e 20% vendidos a preços populares, com prioridade para moradores de Paraty. As mesas são projetadas em tempo real no Auditório da Praça, com recursos de acessibilidade como tradução simultânea e audiodescrição, e transmitidas ao vivo no YouTube e no Canal Arte 1.
Em tempos de crise para o livro e para a leitura, a Flip se impõe como um espaço onde a literatura volta a ocupar o centro da vida pública – não como mercadoria, mas como experiência compartilhada. E é exatamente aí que reside sua força.
A Flip é realizada entre 30 de julho e 3 de agosto. a 3 ago 2025
ingresso a partir de 27




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