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Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso Dark Horse

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
11 de set.
3 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro (PL) está no centro de uma investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.


A investigação foi aberta em julho e está sob relatoria do ministro André Mendonça. O caso permanece sob sigilo, mas informações que vieram a público apontam que os investigadores procuram esclarecer a origem dos recursos utilizados para financiar a produção e as operações financeiras realizadas em torno do longa.


O nome de Flávio Bolsonaro entrou no radar das autoridades a partir de informações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo os elementos investigados, o senador teria procurado Vorcaro para obter recursos para a produção do filme.


A cifra envolvida chama atenção. As informações que chegaram à investigação apontam para um pedido de aproximadamente R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.


A investigação busca determinar a natureza dessas operações, a origem dos valores e se houve qualquer mecanismo destinado a ocultar ou dissimular a movimentação financeira.


Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que não houve utilização de dinheiro público no financiamento do filme.


Polícia Federal também investiga dinheiro de emendas


Enquanto o inquérito relatado por André Mendonça apura a frente relacionada ao financiamento privado, a Polícia Federal abriu outra frente de investigação envolvendo a produção de Dark Horse.


A Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme.


A investigação encontrou indícios de que recursos de emendas parlamentares destinados a organizações ligadas a Karina Gama podem ter sido desviados de suas finalidades originais.


Um dos caminhos investigados envolve o Instituto Conhecer Brasil, entidade que recebeu recursos de emendas parlamentares e mantém ligação com a empresária.


A Controladoria-Geral da União identificou ainda milhões de reais em emendas destinadas a organizações presididas por Karina Gama. Entre os parlamentares que aparecem nesse levantamento estão Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Marcos Pollon e Bia Kicis.


O deputado Mário Frias também aparece no centro dessa apuração. Segundo os investigadores, aproximadamente R$ 645 mil foram transferidos por ele para a produtora responsável pelo filme.


Milhões circularam durante as gravações


Outro ponto que chamou a atenção da Polícia Federal foi a movimentação financeira da Go Up Entertainment durante o período de produção do longa.


As filmagens ocorreram entre outubro e dezembro de 2025. No período, a produtora teria movimentado aproximadamente R$ 19 milhões.


Para os investigadores, a coincidência entre o período das filmagens, as transferências financeiras e a circulação de recursos provenientes de emendas parlamentares precisa ser esclarecida.


A questão central é saber se houve utilização de dinheiro público em operações que, oficialmente, tinham outras finalidades.


Dois inquéritos, um mesmo filme


O caso ganhou uma dimensão política ainda maior porque existem duas frentes de investigação envolvendo o mesmo projeto cinematográfico.


De um lado, o STF investiga as operações relacionadas ao financiamento privado de Dark Horse, incluindo a atuação de Flávio Bolsonaro e as tratativas envolvendo Daniel Vorcaro.


De outro, a Polícia Federal investiga suspeitas de irregularidades envolvendo emendas parlamentares, organizações sociais e empresas ligadas à produção do filme.


As investigações são distintas e não significam, neste momento, que todos os envolvidos façam parte de um mesmo esquema criminoso.


Mas a convergência dos casos levanta questionamentos sobre a origem e o caminho percorrido pelo dinheiro que financiou a produção.


Um filme político cercado por dinheiro


Dark Horse foi concebido para contar a trajetória de Jair Bolsonaro e tem o ator americano Jim Caviezel interpretando o ex-presidente.


O projeto ganhou ainda mais importância política por surgir em um ano eleitoral e por envolver diretamente pessoas ligadas ao núcleo político da família Bolsonaro.


Agora, porém, a produção está cercada por uma série de perguntas que vão muito além do cinema.


Quanto dinheiro foi colocado no filme? Quem financiou? De onde vieram os recursos? Por que valores de emendas parlamentares aparecem relacionados a empresas e entidades ligadas à produção? E qual foi exatamente o papel de Flávio Bolsonaro nas negociações investigadas pelo STF?


São perguntas que as autoridades terão de responder.


Até o momento, Flávio Bolsonaro é investigado, mas não foi condenado pelos crimes apurados. O mesmo princípio vale para os demais envolvidos. Caberá à investigação reunir provas e ao Judiciário avaliar eventual responsabilidade criminal.


O que já está estabelecido, porém, é que Dark Horse, filme criado para contar a história política de Jair Bolsonaro, deixou de ser apenas uma produção cinematográfica. O dinheiro usado para colocar o projeto de pé agora também está sob investigação da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.



 
 
 

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