Fundação Cultura segue sem protagonismo enquanto Festa de São Sebastião é sustentada pela Igreja e pela comunidade
- Marcus Modesto
- 9 de jan.
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Apesar de constar como parceira institucional, a Fundação Cultura de Barra Mansa volta a exercer um papel secundário na realização da Festa de São Sebastião, padroeiro do município. A programação do evento, um dos mais tradicionais do calendário local, evidencia que a organização e a condução das atividades seguem concentradas na Paróquia de São Sebastião e na mobilização comunitária, enquanto o órgão cultural atua de forma protocolar.
A agenda da festa tem início no dia 3 de janeiro, com a recitação do Terço dos Homens e a missa de envio da Imagem Missionária de São Sebastião. Entre os dias 3 e 19 de janeiro, a imagem percorre famílias, instituições e paróquias de Barra Mansa — Santa Cruz, Santo Antônio de Pádua e Sagrado Coração de Jesus — em uma programação extensa organizada integralmente pela Igreja.
No dia 10 de janeiro, ocorre a Missa da Saúde, com unção dos enfermos e envio dos agentes da Pastoral da Pessoa Idosa, reforçando o caráter social da celebração. A novena de São Sebastião, realizada entre os dias 11 e 16 de janeiro, mantém missas diárias acompanhadas de gestos concretos de solidariedade, como a arrecadação de arroz, feijão, óleo, fraldas geriátricas, pó de café e leite, além da bênção dos trabalhadores da festa, no dia 14.
Paralelamente à programação religiosa, a Festa de São Sebastião também conta com atrações musicais e atividades comunitárias na Praça da Matriz, sempre após as missas. Estão previstas apresentações de Julinho Marassi & Gutemberg, Peter & Alan, Camila Duarte e Jó & Samuel, atrações que tradicionalmente integram o evento e ajudam a movimentar o Centro da cidade durante os dias de celebração.
No dia 18 de janeiro, a programação prevê a realização do tradicional Show de Prêmios (bingo), uma das atividades mais aguardadas pelo público e organizada diretamente pela Paróquia. Após o bingo, acontece a apresentação musical de Tico Balanço, conforme consta na programação oficial da festa, encerrando a noite com música e confraternização popular.
Mesmo diante de uma programação robusta, que reúne fé, ação social, música e participação comunitária, não há clareza sobre a contribuição estrutural da Fundação Cultura para além do apoio institucional. Não são apresentados critérios públicos de curadoria artística, nem políticas permanentes de fomento ou investimentos que ultrapassem eventos já consolidados pela tradição religiosa.
A Festa de São Sebastião segue forte e participativa — não em função de uma política cultural estruturada, mas graças à fé, ao voluntariado e à organização da comunidade. Enquanto isso, a Fundação Cultura permanece como coadjuvante em um evento que expõe, mais uma vez, a distância entre o discurso institucional e a prática efetiva da política cultural em Barra Mansa.
Foto Divulgação




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