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Furlani promete “maior transformação”, mas Barra Mansa enfrenta problemas na educação, transporte e segurança

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 2 minutos
3 min de leitura

O prefeito Luiz Furlani gosta de falar em transformação. Em entrevista ao Tá no Palanque, chegou a dizer que uma eventual vitória de Douglas Ruas poderá proporcionar a Barra Mansa “uma relação entre prefeito e governador nunca vista antes” e resultar na “maior transformação da história” do município.


O problema é que a população não vive de promessa de futuro. Vive a realidade de hoje.


E os números mostram uma Barra Mansa que está muito distante da cidade idealizada pelo discurso político do prefeito.


Na segurança pública, o dado é particularmente preocupante. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, colocou Barra Mansa com 37,4 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a segunda maior taxa entre os municípios fluminenses com mais de 100 mil habitantes. O município ficou atrás apenas de Itaperuna e apresentou a maior taxa entre as cidades do Sul Fluminense.


É verdade que a segurança pública é uma responsabilidade compartilhada e que o policiamento ostensivo é atribuição estadual. Mas isso não isenta a Prefeitura de apresentar políticas municipais de prevenção, iluminação, urbanismo, juventude, assistência social e integração com as forças de segurança.


E aqui está a contradição: enquanto Furlani vende a ideia de uma cidade em transformação, os indicadores revelam que ainda existem problemas graves que precisam ser enfrentados.


Educação sem salto de qualidade


Na educação, a discussão também precisa ir além de fotografia de inauguração e entrega de equipamentos.


Documento oficial do município registra Ideb de 4,9 nos anos finais do ensino fundamental da rede municipal. O indicador combina desempenho dos estudantes e aprovação escolar e é justamente uma das principais referências para avaliar a qualidade da educação básica.


Não basta colocar ônibus novo na garagem ou anunciar investimentos. É preciso responder se os alunos estão aprendendo, se as escolas estão funcionando adequadamente e se os resultados educacionais estão avançando.


Transporte: o discurso é moderno, o desafio continua nas ruas


A própria Prefeitura reconhece, em seu Plano de Mobilidade Urbana, que o transporte coletivo precisa ser priorizado e que os deslocamentos devem ocorrer com mais qualidade e rapidez. O plano prevê pontos de ônibus adequados, infraestrutura, acessibilidade e oferta de transporte coletivo compatível com as necessidades da população.


A pergunta é: quanto dessa promessa chegou efetivamente ao passageiro?


O histórico recente mostra que o sistema enfrentava reclamações sobre atrasos, veículos em más condições e insegurança. Em 2025, a Prefeitura chegou a substituir empresas que operavam linhas da Região Leste depois de anos de queixas dos usuários.


Portanto, não é possível transformar uma mudança operacional em prova de que o problema do transporte público foi definitivamente resolvido.


Furlani precisa explicar qual transformação já aconteceu


O prefeito tem todo o direito de apostar politicamente em uma futura parceria com um governador. O que não pode acontecer é a promessa futura esconder a cobrança presente.


Barra Mansa precisa de educação com aprendizagem, transporte coletivo digno, infraestrutura, saúde funcionando, geração de empregos e segurança urbana.


E segurança não pode ser tratada apenas como estatística conveniente. A própria Prefeitura divulgou recentemente quedas em determinados indicadores do ISP, como homicídios e letalidade violenta em agosto de 2026.  Mas esses resultados mensais não apagam o dado estrutural do Anuário de Segurança Pública referente a 2025.


É justamente por isso que Furlani precisa parar de vender a cidade do futuro e começar a prestar contas sobre a cidade do presente.


A população não precisa de uma “maior transformação da história” prometida em entrevista. Precisa saber o que mudou de verdade na vida de quem pega ônibus, leva o filho para a escola, procura atendimento médico, trabalha, paga imposto e volta para casa preocupado com a violência.


Barra Mansa não precisa de mais maquiagem política.


Precisa de resultado.



 
 
 

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