Governo lança Brasil Soberano 3 e libera R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas afetadas por tarifas dos EUA
- Marcus Modesto
- 23 de jul.
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O governo federal anunciou nesta quarta-feira (23) uma nova etapa do programa Brasil Soberano, criada para ampliar o suporte a empresas impactadas pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos e por instabilidades no mercado internacional. A terceira fase da iniciativa disponibilizará R$ 18,5 bilhões em financiamentos com condições diferenciadas para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia brasileira.
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que passaram a valer novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. De acordo com estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida dos Estados Unidos poderá atingir aproximadamente 15% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, representando cerca de US$ 5,8 bilhões em vendas externas.
Para viabilizar a ampliação do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que autoriza a utilização conjunta de recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, foi sancionada a legislação que consolida as linhas de financiamento criadas anteriormente pelo programa.
Do total anunciado, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões serão aportados pelo BNDES. Os recursos poderão ser destinados ao financiamento de capital de giro, aquisição de máquinas, modernização industrial, inovação tecnológica, expansão da capacidade produtiva e abertura de novos mercados para produtos brasileiros.
As condições de crédito variam conforme a finalidade dos projetos. Em alguns casos, as taxas poderão ficar significativamente abaixo das praticadas pelo mercado, especialmente para iniciativas ligadas a áreas consideradas prioritárias pelo governo.
O alcance do programa também foi ampliado. Além dos exportadores diretamente afetados pelas tarifas norte-americanas, a nova fase passa a contemplar empresas que enfrentam prejuízos decorrentes de conflitos internacionais e mudanças nas condições do comércio global.
Entre os setores incluídos estão agricultura, pecuária, pesca, mineração, indústria química, farmacêutica, têxtil, automotiva, produção de máquinas e equipamentos, além de segmentos ligados à tecnologia e à fabricação de componentes elétricos e eletrônicos.
Outra novidade é a possibilidade de utilização dos recursos para adequações exigidas por mercados internacionais, como certificações sanitárias, requisitos ambientais, sistemas de rastreabilidade e outras normas de conformidade exigidas por parceiros comerciais.
Durante a apresentação do programa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que a iniciativa também prevê mecanismos de garantia para facilitar o acesso ao crédito por parte de pequenas empresas.
Segundo o governo, a aplicação dos recursos será definida por um conselho interministerial, que estabelecerá prioridades de acordo com o impacto das medidas comerciais sobre cada setor produtivo.
Entre os segmentos apontados como mais vulneráveis às novas tarifas dos Estados Unidos estão as indústrias de madeira, móveis, cerâmica, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar. O governo também sinalizou que o programa poderá ser utilizado para atender empresas atingidas por futuras medidas restritivas que venham a ser adotadas por outros países.
Apesar do lançamento do pacote de apoio, o Palácio do Planalto mantém a estratégia de buscar uma solução diplomática para o impasse comercial com os Estados Unidos. Integrantes da equipe econômica afirmam que as negociações seguem abertas e que o objetivo é reduzir os impactos das tarifas sem recorrer, neste momento, a medidas de retaliação.
Criado em 2025, o Plano Brasil Soberano já passou por três etapas. Com os R$ 18,5 bilhões anunciados agora, o volume total de recursos mobilizados pelo programa supera R$ 69 bilhões, consolidando-se como uma das principais ferramentas do governo para apoiar exportações e fortalecer a competitividade da produção nacional diante dos desafios do cenário internacional.
Com informações Agência Brasil




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