Governo Milei endurece regras para estrangeiros em meio à tensão diplomática com o Brasil
- Marcus Modesto
- há 2 horas
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O governo da Argentina anunciou uma mudança na política migratória que amplia o poder das autoridades para impedir a entrada ou determinar a expulsão de estrangeiros acusados de promover manifestações consideradas ofensivas ao país, à população argentina ou aos seus símbolos nacionais. A medida foi oficializada por meio de um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) assinado pelo presidente Javier Milei.
A nova norma estabelece que poderão ser alvo das sanções pessoas que incentivem discursos de ódio, discriminação ou violência contra cidadãos argentinos em razão de sua nacionalidade, além de atos interpretados como desrespeito aos símbolos oficiais do país.
Embora o decreto não faça referência direta ao Brasil, sua publicação ocorre em meio ao aumento das divergências entre os governos de Buenos Aires e Brasília, após recentes declarações públicas que elevaram o tom das relações entre os dois países.
Em comunicado divulgado pelo governo argentino, a administração de Milei afirma que a decisão busca reforçar a proteção da soberania nacional e combater manifestações classificadas como hostis à Argentina e ao seu povo.
O texto também sustenta que houve crescimento de episódios de intolerância e ataques direcionados à identidade nacional argentina, justificando a adoção de medidas mais rígidas no controle migratório. No entanto, o decreto não detalha quais critérios serão utilizados para caracterizar essas condutas nem como ocorrerá a aplicação prática da nova regra.
Por ter sido editado por decreto, o texto ainda será analisado pelo Congresso argentino. Até que o processo legislativo seja concluído, as novas disposições permanecem em vigor.
Crise diplomática continua
A decisão do governo argentino ocorre em um período de forte desgaste nas relações entre Argentina e Brasil. Nas últimas semanas, declarações feitas por Javier Milei e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliaram a tensão política entre os dois países.
Apesar do clima de confronto, representantes das chancelarias brasileira e argentina têm buscado preservar o diálogo institucional e evitar impactos nas relações comerciais e na cooperação entre os dois países, que são parceiros estratégicos no Mercosul e mantêm intensa integração econômica.
Enquanto a troca de declarações segue repercutindo no cenário político, diplomatas dos dois lados trabalham para impedir que o embate entre os governos afete acordos bilaterais e a agenda de cooperação regional.




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