PF estuda ampliar investigação internacional sobre patrimônio de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
- Marcus Modesto
- há 11 minutos
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A Polícia Federal analisa a possibilidade de recorrer a um mecanismo de cooperação internacional da Interpol para ampliar o rastreamento de bens e ativos ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao empresário Daniel Vorcaro. A medida ainda está em fase de avaliação e dependerá do avanço das investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal (STF).
O instrumento em estudo é a chamada difusão prateada, criada pela Interpol para facilitar a identificação de patrimônio mantido no exterior por pessoas investigadas em processos criminais. Diferentemente da difusão vermelha, destinada à localização de foragidos, esse sistema busca mapear contas bancárias, imóveis, investimentos e outros ativos financeiros em diferentes países.
A discussão ganhou força após a abertura de um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça para apurar a movimentação de recursos destinados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco da investigação é esclarecer o destino de cerca de R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo as apurações, investigadores pretendem verificar se parte dos valores foi transferida para o exterior ou utilizada de forma diferente da prevista inicialmente. Caso haja necessidade de ampliar a cooperação internacional, a utilização da difusão prateada poderá ser solicitada às autoridades competentes.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade relacionada ao caso. Em manifestações anteriores, o senador afirmou que os recursos destinados ao filme seguiram os procedimentos legais e foram encaminhados a um fundo específico responsável pela produção audiovisual, submetido às normas vigentes nos Estados Unidos.
Além do parlamentar, Daniel Vorcaro também poderá ser incluído no eventual pedido de cooperação internacional. A medida faz parte da estratégia de ampliar o alcance das investigações e identificar possíveis ativos vinculados aos investigados fora do território brasileiro.
Paralelamente ao trabalho da Polícia Federal, o Banco Central acompanha o caso por meio do processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. A instituição responsável pela liquidação realiza o levantamento de bens e movimentações patrimoniais que possam contribuir para as investigações e para o cumprimento de futuras determinações judiciais.
Caso a cooperação internacional seja efetivada, autoridades de outros países poderão localizar bens eventualmente registrados em nome dos investigados e compartilhar essas informações com o Brasil, fortalecendo as apurações conduzidas pelos órgãos responsáveis. Até o momento, porém, não há confirmação de que o pedido tenha sido formalizado junto à Interpol.




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