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Greve, abandono e invisibilidade: a realidade da educação em Barra Mansa contrasta com o destaque estadual no Enem

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 25 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Enquanto o Governo do Estado do Rio de Janeiro comemora os resultados de excelência obtidos por escolas estaduais no Enem 2024 — com destaque para unidades do interior, como Volta Redonda, Miguel Pereira e Nova Friburgo — a cidade de Barra Mansa amarga um cenário preocupante, marcado por greve de professores, falta de estrutura nas escolas e ausência total de protagonismo no mapa da qualidade educacional fluminense.


O recente levantamento divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) revela que nenhuma escola estadual de Barra Mansa aparece entre as dez melhores do estado. A única representante do Sul Fluminense na lista é o Ciep 403 Maria de Lourdes Giovannetti, em Volta Redonda, que conquistou a maior média de redação da rede estadual. Barra Mansa, por sua vez, não só ficou fora do ranking como enfrenta uma crise educacional silenciosa, que parece invisível aos olhos da gestão estadual.


Professores em greve, salas em colapso


Desde o início do segundo semestre letivo, professores da rede municipal de Barra Mansa têm realizado paralisações e manifestações por melhores condições de trabalho e valorização profissional. A pauta da greve inclui reivindicações como reajuste salarial, pagamento de direitos atrasados, revisão do plano de cargos e salários e melhoria da infraestrutura das unidades escolares. Em algumas escolas, faltam itens básicos como papel higiênico, ventiladores e até carteiras suficientes para os alunos.


Segundo relatos de docentes e responsáveis, há unidades com infiltrações nas salas de aula, banheiros interditados e quadras esportivas em estado de abandono. “Falam em inovação e tecnologia, mas a realidade aqui é muito diferente. Falta até segurança para trabalhar”, disse uma professora da rede municipal que preferiu não se identificar.


Estrutura precária também atinge a rede estadual


Na rede estadual em Barra Mansa, a situação não é muito diferente. Estudantes enfrentam dificuldades com falta de professores, laboratórios sucateados e ausência de políticas pedagógicas efetivas. Ao contrário de outras cidades, que investem em simulados periódicos, plataformas de apoio e acompanhamento individualizado, as escolas estaduais em Barra Mansa seguem sem estrutura adequada nem incentivo para alcançar melhores índices.


Enquanto a Secretaria Estadual de Educação celebra a implantação de tecnologias como a plataforma Enem-RJ e aponta avanços com inteligência artificial, muitos alunos em Barra Mansa sequer têm acesso a uma internet de qualidade nas escolas. O resultado é previsível: baixo desempenho, evasão escolar e desmotivação generalizada.


Invisibilidade no mapa da educação de qualidade


A exclusão de Barra Mansa da lista de escolas de destaque no Enem 2024 levanta uma pergunta urgente: o que está sendo feito para mudar esse cenário? Em vez de disputar protagonismo com cidades vizinhas como Volta Redonda e Resende, Barra Mansa assiste passivamente à deterioração da sua rede pública de ensino — tanto na esfera municipal quanto estadual.


Apesar das promessas de investimentos e de um discurso oficial que fala em “construir o presente e plantar o futuro”, como afirmou a secretária estadual Roberta Barreto, a realidade em Barra Mansa aponta para o abandono. Sem estrutura, sem planejamento e sem valorização dos profissionais da educação, a cidade corre o risco de continuar invisível nos próximos rankings — e, pior, de comprometer definitivamente o futuro de uma geração.


A educação em Barra Mansa pede socorro. E o silêncio das autoridades é ensurdecedor.


 
 
 

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