Janaina Paschoal é vaiada e expulsa da abertura da Conferência Estadual LGBT+ em São Paulo
- Marcus Modesto
- 2 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A abertura da 4ª Conferência Estadual dos Direitos da População LGBT+, realizada nesta sexta-feira (1º), no CÉU Carrão/Tatuapé, zona leste de São Paulo, foi marcada por um episódio de tensão e protesto. A vereadora Janaina Paschoal (PP), convidada apenas como ouvinte, subiu inesperadamente ao palco durante a cerimônia oficial, interrompeu falas e fez declarações provocativas que geraram forte reação do público presente.
Durante sua breve e conturbada intervenção, Janaina afirmou que o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016, “não foi golpe” — uma fala considerada deslocada, especialmente em um evento dedicado à construção de políticas públicas para a população LGBTQIA+. A reação foi imediata: vaias, gritos de protesto e pedidos veementes para que ela se retirasse do local.
Rejeição total à presença da vereadora
A parlamentar, que não tinha autorização para falar nem compunha a mesa de abertura, foi criticada por lideranças do movimento e representantes da sociedade civil. Muitos classificaram sua atitude como uma tentativa deliberada de provocar tumulto em um espaço construído com esforço e participação popular.
“Ela foi à Conferência apenas para lacrar e provocar tumulto. Expulsamos porque ela não representa nossa luta nem respeita nossa história”, declarou Diego Carvalho, coordenador de Políticas LGBTQIA+ do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
A tensão foi tamanha que levou a cônsul-geral da Bélgica em São Paulo a se retirar do palco em protesto. O gesto, simbólico, evidenciou a gravidade do ocorrido e o incômodo causado pela presença não autorizada da vereadora.
Conferência segue com foco na cidadania e no respeito
Apesar do incidente, o evento prosseguiu com suas atividades. A conferência, que reúne cerca de 350 delegados de diferentes regiões do estado, segue até domingo (4) com debates sobre temas como saúde integral, empregabilidade, juventude LGBTQIA+, combate à violência e institucionalização de políticas públicas voltadas à diversidade.
As propostas aprovadas nesta etapa estadual serão encaminhadas à Conferência Nacional LGBT+, marcada para outubro, em Brasília. A iniciativa faz parte da retomada das conferências populares pelo governo federal, com foco em reconstrução de políticas voltadas aos direitos humanos.
Em nota oficial, a organização do evento reforçou que a Conferência é um espaço de diálogo, escuta e construção coletiva, e que atitudes como a da vereadora Janaina Paschoal — que, segundo os organizadores, “não veio contribuir, mas confrontar” — não serão toleradas.
“Nossas lutas não são palco para discursos oportunistas. Defender os direitos da população LGBTQIA+ é enfrentar décadas de exclusão e violência com seriedade e compromisso, não com provocações e ataques simbólicos.”




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