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Livros, encontros e ideias mudam a rotina cultural de Bom Jesus dos Perdões

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 32 minutos
2 min de leitura

Em uma cidade paulista com cerca de 22 mil habitantes, um espaço criado para vender livros acabou assumindo um papel muito maior. Desde 2016, a Casa do Leitor, em Bom Jesus dos Perdões, tornou-se endereço de encontros, debates, atividades educativas e eventos que aproximam diferentes gerações da literatura e da cultura.


A história começou de forma simples. Guilherme Moura, psicólogo e morador do município, vendia livros pela internet para ajudar a custear a faculdade. O estoque funcionava em uma garagem e, com o crescimento das vendas, surgiu a possibilidade de ocupar um espaço maior. Ao lado da mulher, Fernanda Miquelino, também psicóloga, ele decidiu transformar o local em uma livraria física.


A abertura, porém, já apontava para uma proposta diferente. Em vez de apenas comercializar livros, o casal queria criar um ambiente capaz de reunir pessoas e estimular a circulação de conhecimento. A inauguração contou com a participação do professor Christian Dunker e serviu como demonstração de que havia público interessado em programação cultural na região.


Nos dez anos seguintes, a Casa do Leitor ampliou sua atuação. Lançamentos literários, festivais, feiras de discos de vinil, rodas de conversa, sessões de cinema e atividades direcionadas a idosos passaram a fazer parte da programação.


O espaço também recebeu escritores, jornalistas, pesquisadores e representantes de diferentes áreas, entre eles Marcelo Rubens Paiva, Juca Kfouri, Aline Bei, padre Júlio Lancellotti, Jessé de Souza, Pedro Bandeira e José Roberto Torero.


Um espaço que aproximou gerações


A movimentação criada pela livraria ultrapassou as fronteiras de Bom Jesus dos Perdões. Moradores de cidades vizinhas também passaram a frequentar os eventos, fazendo do endereço um ponto de circulação de pessoas e ideias.


Aos 72 anos, a psicóloga da educação Magda Machado Ribeiro Venancio acompanha a trajetória da Casa do Leitor desde os primeiros anos. Para ela, a iniciativa ajudou a ampliar as opções culturais do município e contribuiu para tornar a cidade mais atrativa.


O jornalista Mario Casimiro Gonçalves, de 31 anos, é outro frequentador. Morador de Atibaia, costuma viajar até Bom Jesus dos Perdões para acompanhar a programação e considera o espaço uma referência para encontros e troca de ideias.


Literatura também chega às escolas


A atuação da Casa do Leitor ganhou ainda uma dimensão educacional. Em 2025, projetos desenvolvidos em parceria com a rede municipal alcançaram 240 estudantes do 5º ano de cinco escolas.


Segundo o secretário municipal de Educação, Ricardo Augusto Pontes Moraes, os alunos apresentaram relatos de maior facilidade para compreender as histórias depois das atividades. Professores também destacaram a importância do contato com o espaço e com diferentes formas de trabalhar a leitura.


Mesmo com uma agenda que já está preenchida até novembro, a Casa do Leitor ainda enfrenta dificuldades para manter uma programação constante. A equipe é pequena e os recursos são limitados.


Para Guilherme Moura, um dos principais desafios é ampliar o conhecimento sobre o espaço e fortalecer a participação do poder público no incentivo às atividades culturais. A trajetória da livraria mostra, porém, que uma iniciativa privada de pequeno porte pode criar novos hábitos culturais e transformar um endereço comercial em ponto de encontro de uma comunidade.

Foto Reprodução


 
 
 

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