Lula rebate Trump e ameaça retaliação: “Não foi eleito imperador do mundo”
- Marcus Modesto
- 17 de jul. de 2025
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com dureza às recentes medidas protecionistas adotadas pelo governo norte-americano. Em entrevista exclusiva à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, Lula criticou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o republicano “não foi eleito para ser o imperador do mundo”. A fala foi uma resposta à decisão unilateral dos EUA de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, medida que gerou reação imediata em Brasília.
Segundo a reportagem da CNN Brasil, Trump evitou explicações técnicas para o aumento das tarifas e respondeu de forma provocativa ao ser questionado sobre os motivos: “Porque eu sou capaz de fazer isso. Ninguém mais seria capaz”. A justificativa oficial da Casa Branca é de que as tarifas visam estimular a produção e geração de empregos dentro dos Estados Unidos — argumento que não foi acompanhado por estudos ou dados de segurança nacional, como costuma ser exigido nesse tipo de medida.
O Palácio do Planalto reagiu em várias frentes. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, enviou uma carta formal ao governo americano classificando a decisão como “inaceitável” e alertando para os impactos econômicos que, segundo ele, afetarão ambos os países. “Estamos indignados. Essa decisão agride a lógica da cooperação internacional”, diz um trecho do documento, revelado pela CNN.
Em conversas com empresários do setor industrial, Alckmin reconheceu que a comunicação com a atual gestão norte-americana tem sido “desafiadora” e que o momento exige “firmeza e inteligência diplomática”. Fontes do Itamaraty ouvidas por veículos de imprensa avaliam que há um “retrocesso nas bases do diálogo comercial” entre os dois países.
Como resposta prática, Lula assinou nesta semana o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso em abril. A legislação permite que o Brasil aplique medidas de retaliação a países que adotem barreiras comerciais prejudiciais à indústria e ao agronegócio nacional. Isso inclui a suspensão de benefícios comerciais, acordos de cooperação ou até mesmo a revogação de direitos de propriedade intelectual.
Com a regulamentação da lei, o governo brasileiro se arma juridicamente para responder à ofensiva americana de forma proporcional. A medida, no entanto, é vista por analistas como um passo arriscado, já que pode aprofundar a tensão diplomática em meio a um cenário internacional já marcado por instabilidade econômica e disputas geopolíticas crescentes.
A entrevista completa de Lula à CNN Internacional vai ao ar nesta quinta-feira (17) e deve aprofundar a crítica do presidente brasileiro à postura dos Estados Unidos no cenário global. Lula adiantou que pretende defender um mundo “multipolar”, com equilíbrio entre as grandes potências e respeito às soberanias nacionais. “Não aceitaremos arrogância imperial travestida de política comercial”, afirmou.
A escalada verbal entre os dois presidentes marca um novo capítulo na relação entre Brasil e Estados Unidos — um confronto entre o discurso protecionista de Trump e a tentativa do governo Lula de manter pontes abertas sem ceder a pressões unilaterais.




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