Mais que medalhas, um exercício de vida
- Marcus Modesto
- 28 de mar.
- 2 min de leitura
O dia começou cedo no Parque Aquático Municipal de Volta Redonda, mas o que se viu na manhã desta sexta-feira, 27, foi muito mais do que uma simples competição. A segunda edição da Olimpíada Viva Melhor abriu seu calendário com energia, reunindo cerca de 150 participantes em uma demonstração clara de que idade não é limite — é impulso.
Vindos de 35 polos espalhados por Volta Redonda, os alunos com mais de 60 anos deram início à disputa com as provas de natação. Divididos nas categorias 60+, 70+ e 80+, homens e mulheres encararam os 25 metros livre e o revezamento 4x25 com disposição de sobra — e, principalmente, com um entusiasmo que muitas vezes falta em competições tradicionais.
Mas reduzir o evento a resultados seria ignorar o essencial.
A olimpíada nasce com um propósito que vai além do pódio: incentivar o envelhecimento ativo, fortalecer vínculos e criar novos espaços de convivência. Na prática, cada prova é também uma celebração da autonomia, da superação pessoal e da redescoberta do próprio corpo.
Segundo o professor Érick Antonini da Costa, o momento é de conquista individual. Não apenas de medalhas, mas de confiança. A piscina, nesse contexto, deixa de ser apenas um espaço esportivo e se transforma em um cenário de afirmação — onde cada participante testa seus próprios limites e, muitas vezes, os supera.
E é justamente nesse ponto que a Olimpíada Viva Melhor ganha relevância.
Para muitos alunos, o programa representa uma mudança concreta na qualidade de vida. Redução de dores, melhora na mobilidade e, talvez o mais importante, o resgate do convívio social. Histórias como a de Maria das Graças, de 73 anos, mostram como a prática esportiva pode transformar rotinas e devolver bem-estar. Já Adriana, aos 60, traduz o impacto emocional: encontrou no grupo não apenas atividade física, mas acolhimento e novas amizades.
A competição segue ao longo do ano, com etapas que vão da queimada ao atletismo, passando por futebol society e jogos de salão — novidade desta edição. Um calendário diverso que reforça a proposta de inclusão e participação contínua.
Ao final, haverá um quadro geral de medalhas e uma cerimônia de encerramento em dezembro. Mas, na essência, o saldo já é positivo desde agora.
Porque, ali, cada chegada na borda da piscina vale mais do que qualquer pódio. É a prova de que movimento é vida — e de que nunca é tarde para começar, recomeçar ou simplesmente continuar.
Foto Geraldo Gonçalves




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