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Mangaratiba: minério de ferro levado pelo vento invade condomínios na Costa Verde

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 7 minutos
3 min de leitura

Fiscalização da Prefeitura encontra composição da MRS transportando minério sem proteção adequada; partículas atingiram piscinas, bebedouros e áreas destinadas a crianças no bairro Sahy


O que deveria ser apenas mais uma operação de transporte de cargas pela ferrovia acabou provocando uma situação preocupante no bairro Sahy, em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro.


Moradores denunciaram à Prefeitura a dispersão de minério de ferro transportado por composições da MRS. Vídeos encaminhados ao município mostraram partículas sendo carregadas pelo vento em direção às áreas residenciais.


A denúncia levou equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas a realizar uma fiscalização na sexta-feira (4). Durante a vistoria de três trens, os agentes encontraram, em uma das composições, minério de ferro sendo transportado sem lona ou outro sistema de proteção.


O resultado foi imediato: com as rajadas de vento, partículas do material foram levadas para fora da área ferroviária e atingiram imóveis e espaços comuns de três condomínios do Sahy.


Piscinas, bebedouros e áreas destinadas às crianças foram afetados. Em um dos condomínios, uma piscina precisou ser interditada.


Um problema que não pode ser tratado como simples sujeira


O episódio ultrapassa a questão da sujeira provocada pelo minério.


Quando partículas provenientes de uma carga industrial chegam a áreas residenciais, o problema passa a ser ambiental e de saúde pública e exige uma resposta rigorosa dos órgãos responsáveis pela fiscalização.


Os moradores do Sahy não podem ser obrigados a conviver com material sendo lançado pelo vento sobre suas casas e áreas de lazer.


A atividade ferroviária é importante para a economia, mas sua importância econômica não pode servir como justificativa para o descumprimento de regras ambientais.


Prefeitura aponta irregularidades


Segundo a Prefeitura de Mangaratiba, a fiscalização identificou não apenas a ausência de proteção adequada da carga, mas também transporte de material acima da capacidade permitida.


O município classificou a dispersão das partículas como poluição atmosférica e informou que a situação estaria em desacordo com uma determinação judicial que estabelece medidas para impedir a dispersão do minério transportado.


Se as irregularidades forem confirmadas, será necessário saber por que medidas que deveriam impedir a dispersão do material não estavam sendo cumpridas.


Quem responde pelos danos?


A pergunta que fica para os moradores é inevitável: quem será responsabilizado quando uma carga de minério transportada pela ferrovia ultrapassa os limites da operação e chega a áreas residenciais?


A MRS precisa explicar quais procedimentos utiliza para impedir que o minério seja carregado pelo vento e por que, segundo a fiscalização municipal, uma composição foi encontrada sem proteção adequada.


Também é preciso saber se houve outras ocorrências semelhantes e quais providências serão adotadas para impedir que o problema volte a acontecer.


O caso será levado ao Inea


A Prefeitura informou que encaminhará o caso ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pelo licenciamento da atividade, juntamente com laudo técnico e relatório fotográfico.


Agora, o que a população espera é que o caso não termine apenas em mais um relatório arquivado.


É necessário investigar, responsabilizar quem eventualmente tenha descumprido as normas e estabelecer mecanismos eficazes de prevenção.


Mangaratiba é uma das principais cidades da Costa Verde e não pode aceitar que áreas residenciais sejam atingidas por partículas de minério simplesmente porque uma carga não recebeu a proteção necessária.


A economia precisa funcionar, a ferrovia precisa operar e as empresas precisam produzir. Mas tudo isso deve acontecer dentro da lei e com respeito à população.


O minério pode passar pela Costa Verde. O que não pode é a poluição passar por cima dos moradores de Mangaratiba.



 
 
 

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