Mensagem a Moraes teria antecipado viagem de Daniel Vorcaro antes de prisão pela PF
- Marcus Modesto
- há 14 minutos
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A viagem de Daniel Vorcaro para Dubai, que terminou com a prisão do ex-dono do Banco Master pela Polícia Federal, teria sido antecipada após uma conversa com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações divulgadas pela colunista Natália Portinari, do UOL.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro e documentos apresentados posteriormente por sua defesa indicam que o empresário inicialmente não pretendia deixar o Brasil antes da noite de 18 de novembro. O planejamento, porém, mudou às vésperas da operação que resultou em sua prisão.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, na noite de 15 de novembro, um sábado, Vorcaro enviou uma mensagem a Moraes perguntando: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. A conversa teria ocorrido às 18h22.
Ainda segundo os dados reunidos pelos investigadores, Vorcaro esteve em Brasília no domingo, 16 de novembro, para uma conversa presencial com o ministro. No dia seguinte, a programação de sua viagem internacional já havia sido alterada.
Itinerário foi modificado
O plano inicialmente apresentado pela defesa previa que Vorcaro embarcaria no Aeroporto Internacional de Guarulhos às 23h10 do dia 18, com destino a Milão e posterior deslocamento para Dubai.
Na noite de 15 de novembro, poucas horas depois da mensagem enviada a Moraes, a empresa responsável pelo suporte aos voos executivos solicitou autorização para a chegada do jato Falcon 7X, registrado em nome da Viking Participações, em Dubai.
A documentação indicava, naquele momento, que o avião deixaria Milão no dia 20 e chegaria aos Emirados Árabes Unidos na mesma data.
O cenário mudou posteriormente. Na manhã de 17 de novembro, Vorcaro comunicou a integrantes do Banco Central que havia decidido antecipar sua viagem. Segundo a mensagem, investidores estrangeiros teriam pedido a alteração para viabilizar a assinatura de documentos relacionados a uma negociação.
“Me pediram pra antecipar ida pra lá pra tentarmos fazer as assinaturas”, escreveu o banqueiro em um grupo de WhatsApp que reunia integrantes ligados ao Banco Master.
Prisão ocorreu no aeroporto
A mudança de última hora colocou Vorcaro no centro da operação policial. Ele foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro, quando se preparava para embarcar para Dubai.
Na manhã seguinte, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, enquanto o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master.
Um dos pontos que passaram a ser analisados pelos investigadores foi justamente a alteração do cronograma da viagem e a possibilidade de que o deslocamento internacional representasse uma tentativa de deixar o país antes da ação policial.
O plano de voo específico referente ao dia 17, data da prisão, não aparece entre os documentos apresentados pela defesa.
Defesa sustenta que viagem tinha finalidade empresarial
Os advogados de Vorcaro apresentaram documentos com o objetivo de contestar a hipótese de fuga. A justificativa apresentada foi de que a viagem aos Emirados Árabes Unidos estaria relacionada às negociações para a venda do Banco Master a investidores estrangeiros.
Entre os documentos está uma reserva no Four Seasons, em Dubai. A chegada, inicialmente prevista para o dia 20, acabou antecipada para o dia 18.
A defesa também apresentou registros de uma produtora que teria pesquisado hotéis na cidade para a realização de uma conferência para cerca de 20 pessoas, prevista para 21 de novembro. Uma suíte também teria sido reservada entre os dias 20 e 22. O evento, entretanto, não aconteceu.
PF avaliou risco de fuga
Diante da informação de que Vorcaro deixaria o Brasil, a Polícia Federal decidiu antecipar sua prisão. Para os investigadores, havia risco de que o banqueiro deixasse o território nacional antes que as medidas da operação fossem cumpridas.
O caso ganhou novos contornos com a divulgação das mensagens entre Vorcaro e Moraes e dos documentos relacionados à viagem. A defesa afirma que o deslocamento tinha finalidade empresarial, enquanto a investigação analisou a mudança repentina no planejamento como um dos elementos para avaliar o risco de fuga.
Até o momento, segundo a reportagem do UOL, tanto a defesa de Daniel Vorcaro quanto o ministro Alexandre de Moraes foram procurados para comentar as informações, mas não haviam se manifestado.




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