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Mensagens expõem festas privadas e colocam Flávio Bolsonaro no centro de novo escândalo

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 1 hora
3 min de leitura

Mensagens, fotografias e documentos mantidos pelo ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro, Alexandre Santini, colocaram o senador e candidato à Presidência da República no centro de uma nova polêmica. O material, revelado pelo PlatôBR e analisado pelo UOL, indica que Flávio teria participado de festas privadas com garotas de programa e que encontros desse tipo eram organizados com preocupação especial com o sigilo.


Segundo a apuração, Santini teria rompido com Flávio após uma disputa financeira e, posteriormente, procurado Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, para relatar os encontros. O ex-sócio teria guardado mensagens e fotografias que, segundo a reportagem, sustentariam suas acusações.


Uma das conversas divulgadas envolve a organização de uma nova festa semelhante a outra realizada anteriormente no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Nas mensagens, Santini menciona a participação de Flávio e de outro amigo e negocia com uma suposta agenciadora a presença de mulheres. A preocupação com o sigilo aparece explicitamente na conversa, segundo o material divulgado.


O episódio ganha peso político porque Flávio Bolsonaro construiu parte de sua trajetória pública em torno de discursos relacionados à família, aos costumes e à defesa de valores conservadores. A existência de festas privadas, por si só, não constitui crime. O que transforma o caso em assunto de interesse jornalístico é a existência de registros apresentados como evidências, a tentativa relatada de manter os encontros sob sigilo e a conexão do episódio com outras relações financeiras e políticas que aparecem no mesmo conjunto de documentos.


Em uma mensagem atribuída a Flávio, divulgada na reportagem, o senador pede que Santini se afaste de sua mulher e afirma ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” que teria feito no passado. A mensagem, contudo, não especifica quais seriam essas escolhas.


Rolex de R$ 305 mil e relações com o poder


O material divulgado não termina nas festas.


Documentos e mensagens também apontam, segundo a apuração do PlatôBR reproduzida pelo UOL, que o advogado Alan Belaciano teria dado a Flávio Bolsonaro um relógio Rolex Submariner Date de ouro branco avaliado em aproximadamente R$ 305 mil. Também aparecem equipamentos de ginástica avaliados em R$ 90 mil.


A questão que passa a exigir esclarecimentos não é simplesmente o valor dos presentes, mas a relação entre quem teria fornecido os bens, os interesses de clientes envolvidos e as relações políticas que aparecem nos documentos.


A reportagem também aponta conversas que sugerem uma atuação de Flávio junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques em favor de interesses de um cliente de Santini. A assessoria do ministro afirmou que ele recebe parlamentares de diferentes partidos e que isso não compromete sua imparcialidade.


O silêncio diante das perguntas


Flávio Bolsonaro foi procurado para comentar as revelações, mas, até a publicação das reportagens consultadas, não havia apresentado resposta sobre o conjunto das acusações. A campanha também foi procurada.


O caso chega em plena campanha presidencial e acrescenta mais um episódio envolvendo o senador e relações com personagens que aparecem em investigações e controvérsias recentes.


É importante separar os fatos documentados das acusações. As mensagens e fotografias divulgadas existem e foram apresentadas pelo ex-sócio como material de sustentação de suas afirmações. Já a participação de Flávio nos encontros e a natureza de cada relação precisam ser esclarecidas pelo próprio candidato e, quando houver matéria de investigação formal, pelas autoridades responsáveis.


A pergunta que fica para o eleitor não é sobre a vida privada de um candidato em si, mas sobre sigilo, dinheiro, presentes de alto valor e possíveis relações entre interesses privados e agentes públicos.


E é justamente nessa fronteira entre a vida privada e o exercício do poder que o caso deixa de ser apenas uma história de festas e passa a exigir respostas públicas.



 
 
 

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