Moraes se irrita com testemunhas de defesa de Anderson Torres e cobra foco nos fatos
- Marcus Modesto
- 28 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou momentos de tensão durante o depoimento de duas testemunhas de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, nesta quarta-feira (28). As oitivas fazem parte do processo que apura a tentativa de golpe de Estado em 2022. As informações são da CNN Brasil.
Logo no início, Antonio Ramiro Lourenzo, ex-secretário executivo do Ministério da Justiça, causou desconforto ao afirmar que só ouviu a palavra “golpe” na imprensa e que, na sua visão, não houve tentativa golpista. “Essa palavra ‘golpe’ eu só escuto na mídia. Acho que não teve nada nesse sentido de golpe”, disse.
Moraes interrompeu imediatamente: “Se o senhor acha ou não que houve golpe, isso não é importante para a Corte. Se atenha somente aos fatos”, advertiu, demonstrando rigidez no controle da audiência.
Outro momento tenso envolveu o depoimento de Rosivan Correia de Souza, servidor da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). Ele tentou minimizar a responsabilidade de Anderson Torres — que, em 2023, ocupava o cargo de secretário de Segurança do DF —, alegando que o Comando-Geral da Polícia Militar não estaria subordinado à SSP, apenas vinculado administrativamente.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou se havia ou não hierarquia formal entre a Secretaria e a Polícia Militar. A defesa de Torres tentou reforçar que a relação seria de “vinculação” e não de “subordinação”. Moraes, que já foi secretário de Segurança, reagiu com veemência: “Eu fui secretário de Segurança. Há relação de total subordinação. O secretário de Segurança comanda a Polícia Militar e a Polícia Civil”, afirmou, exigindo clareza da testemunha.
Diante da insistência de Rosivan em negar subordinação, o ministro ironizou: “O secretário de Segurança é uma rainha da Inglaterra aqui?”, questionou, em tom crítico.
Os episódios reforçam o clima de tensão e o rigor adotado por Moraes na condução dos processos que apuram os atos antidemocráticos de 2022, com foco na objetividade dos fatos e rechaço a tentativas de distorção narrativa no âmbito jurídico.




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