Morre o escritor Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos, em Porto Alegre
- Marcus Modesto
- 30 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
O Brasil perdeu neste sábado (30), em Porto Alegre, um de seus maiores cronistas: Luis Fernando Verissimo, que morreu aos 88 anos em decorrência de complicações de uma pneumonia. Ele estava internado desde 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento.
Herança literária e paixão pela música
Nascido em 26 de setembro de 1936, filho do também consagrado escritor Érico Verissimo, Luis Fernando herdou do pai o gosto pelas palavras e construiu uma trajetória própria, marcada pelo humor, pela ironia fina e pela observação sensível do cotidiano.
Na juventude, viveu nos Estados Unidos, onde descobriu outra de suas paixões: o jazz. Tímido, dizia se sentir realizado ao “soprar o saxofone”, mas foi na literatura que encontrou o reconhecimento de milhões de leitores.
Um mestre do humor e da crítica social
Verissimo criou personagens inesquecíveis, como o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté, Ed Mort, a Família Brasil e a célebre tira As Cobras, que atravessaram gerações e se tornaram ícones do humor político e da crítica social.
Iniciou a carreira como copidesque no jornal Zero Hora e logo se destacou em colunas que marcaram presença nos principais jornais do país. Sua escrita unia filosofia e cotidiano, transformando situações banais em reflexões universais.
Nos anos 1970, enfrentou a censura da ditadura militar com sua irreverência, e mais tarde teve obras adaptadas para a televisão, como O Analista de Bagé e A Comédia da Vida Privada. Entre seus romances, destacou-se O Clube dos Anjos (1998), apontado como seu livro mais elaborado, além de Os Espiões (2009).
Vida pessoal e paixões fora da literatura
Casado desde 1963 com Lúcia, com quem teve três filhos — Mariana, Fernanda e Pedro —, cultivava o humor também em família. Criou, ao lado de amigos escritores, o bem-humorado Movimento dos Sem Netos, do qual “se desligou” em 2008, após o nascimento da neta Lucinda.
Torcedor apaixonado do Internacional e simpatizante do Botafogo, também atuou como cronista esportivo, cobrindo três Copas do Mundo.
Últimos anos e despedida
Nos últimos anos, enfrentou sérios problemas de saúde, incluindo uma cirurgia para retirada de câncer na mandíbula, um AVC isquêmico e o diagnóstico de Parkinson, que comprometeu sua fala e o afastou da escrita.
Mesmo com limitações, permaneceu como uma das vozes mais queridas da literatura brasileira, referência de leveza, humor e inteligência.
Luis Fernando Verissimo deixa a esposa, os três filhos e uma legião de leitores que aprenderam a rir e a refletir com suas palavras. Sua obra permanece como um legado fundamental para a cultura brasileira.




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