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O caso Zambelli: o exílio de luxo de quem fugiu da lei, mas ainda goza das regalias do mandato

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 30 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

A imagem de Carla Zambelli, deputada federal condenada pelo Supremo Tribunal Federal e foragida da Justiça brasileira, sendo localizada em um confortável apartamento nos arredores do Vaticano, revela mais do que uma fuga internacional: escancara o abismo entre a letra da lei e o privilégio político no Brasil.


Condenada a 10 anos de prisão por contratar um hacker para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli não apenas escapou do país com cidadania italiana em mãos, como passou a viver em Roma com o mesmo desdém pela institucionalidade que marcou sua carreira. A hospedagem? Um imóvel de classe média alta, com jacuzzi, estacionamento e quadra de tênis, propriedade de uma empresária brasileira cujo nome, até agora, segue mantido sob sigilo. Um “exílio” com cara de turismo de luxo bancado, no mínimo, pela impunidade.


O roteiro de fuga de Zambelli incluiu Argentina, Estados Unidos e Itália. Passou por Cecchina, região metropolitana de Roma, e acabou na capital, protegida por aliados e blindada pela morosidade dos processos legislativos no Brasil. Porque, apesar de sua condenação definitiva, Zambelli segue, tecnicamente, deputada federal. A Câmara dos Deputados ainda não efetivou a perda de seu mandato, e o processo de cassação segue engavetado na Comissão de Constituição e Justiça, como se o Brasil pudesse fingir normalidade diante de uma parlamentar condenada e foragida.


A Justiça italiana já foi acionada para iniciar o processo de extradição — negado pelos advogados de Zambelli, que afirmam que ela apenas “se apresentou voluntariamente”. Uma narrativa conveniente para quem sempre tratou os fatos como peças de ficção política. Zambelli, mesmo escondida em outro continente, seguiu ativa nas redes sociais por meio de contas alternativas, atacando o STF, promovendo desinformação e se dizendo vítima de perseguição. A velha retórica bolsonarista, agora em versão europeia.


Enquanto isso, o silêncio da Câmara é ensurdecedor. Não há justificativa legal ou moral que sustente a permanência de Zambelli no cargo. A Constituição é clara sobre a perda de mandato em caso de condenação criminal. O problema não é a lei — é a covardia política em aplicá-la.


O caso Zambelli não é só sobre uma deputada que fugiu. É sobre um sistema que permite a um parlamentar condenado manter salário, gabinete e foro privilegiado mesmo longe do país, em um apartamento com vista para o Vaticano. A pergunta que resta é: quem ainda acredita que a Justiça é igual para todos?


 
 
 

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