top of page
Buscar

ONU reconhece tráfico de africanos escravizados como maior crime da história e reforça debate sobre reparação

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Realidade também marcou Barra Mansa


A Organização das Nações Unidas aprovou, nesta quarta-feira (25), uma resolução que classifica o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade já cometido. A decisão amplia a pressão internacional por reconhecimento histórico, pedidos de desculpas e medidas concretas de reparação.


O texto, aprovado com ampla maioria na Assembleia Geral da ONU, recomenda que os países assumam responsabilidades pelo passado escravocrata e contribuam para a criação de um fundo internacional voltado à reparação histórica. A proposta também reforça a necessidade de enfrentar os impactos persistentes da escravidão, como o racismo estrutural e a desigualdade social.


Herança histórica que também marca o interior do Rio


O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que os efeitos da escravidão ainda limitam oportunidades e direitos de milhões de pessoas no mundo.


Esse passado não está distante da realidade brasileira — e tampouco da história do interior do estado do Rio de Janeiro. No século XIX, regiões como Barra Mansa foram profundamente marcadas pela utilização de mão de obra escravizada, especialmente nas grandes fazendas de café do Vale do Paraíba.


Centenas de homens e mulheres africanos e seus descendentes foram submetidos a condições desumanas nessas propriedades rurais, contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico da região. A riqueza gerada naquele período teve como base um sistema violento, cujas consequências sociais ainda ecoam nas desigualdades observadas atualmente.


Assim como ocorreu em todo o Brasil — que recebeu mais de 4 milhões de africanos escravizados e foi o último das Américas a abolir oficialmente a escravidão, em 1888 — cidades do interior fluminense carregam até hoje marcas profundas desse período.


Votação evidencia divisões entre países


A resolução foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, e recebeu 123 votos favoráveis, incluindo o do Brasil.


Durante a sessão, Mahama afirmou que a medida representa um avanço rumo à verdade e à justiça histórica. Apesar do apoio majoritário, três países votaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina.


Outros 52 países optaram pela abstenção, entre eles Portugal, Reino Unido, França e Espanha — nações historicamente ligadas ao tráfico transatlântico.


Reparação histórica ganha força no cenário global


A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, afirmou que reconhecer essas injustiças é um dever moral coletivo.


A resolução também propõe a devolução de bens culturais retirados de países africanos ao longo dos séculos, além de incentivar políticas concretas de reparação.


Ao colocar o tema no centro da agenda internacional, a ONU não apenas revisita o passado global, mas também lança luz sobre histórias locais — como a de Barra Mansa — onde a escravidão deixou marcas profundas que ainda influenciam a realidade social e econômica.




 
 
 

Comentários


bottom of page