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OPINIÃO | Flávio Bolsonaro corre contra o tempo para encontrar um vice e romper o isolamento político

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 6h
  • 2 min de leitura


Por Marcus Modesto


A política costuma dar sinais antes mesmo de as urnas falarem. E há um sinal que Flávio Bolsonaro não consegue esconder: a cadeira de vice continua vazia.


Não é um detalhe. É um recado.


Quem pretende governar um país precisa, antes de tudo, demonstrar capacidade de construir alianças. Mas a candidatura de Flávio Bolsonaro parece caminhar na direção oposta. Enquanto outras chapas costuram acordos e ampliam apoios, ele ainda procura alguém disposto a dividir o palanque.


A pergunta inevitável é: por quê?


Talvez porque o bolsonarismo tenha passado anos tratando antigos aliados como inimigos descartáveis. Talvez porque a política do confronto permanente tenha produzido mais adversários do que parceiros. Ou talvez porque muitos partidos estejam fazendo uma conta simples: vale a pena embarcar em um projeto cercado de incertezas?


O sobrenome Bolsonaro ainda mobiliza uma parcela do eleitorado, mas também carrega um elevado índice de rejeição. Não é coincidência que legendas experientes hesitem em associar suas imagens a uma candidatura cuja principal marca continua sendo a polarização.


Flávio também não escapa do peso de sua própria trajetória. O caso das chamadas “rachadinhas”, que marcou sua carreira política, continua sendo uma referência recorrente no debate público. Embora o processo tenha sido encerrado após decisões judiciais que invalidaram provas e impediram o prosseguimento da ação, o desgaste político permanece. Na política, nem toda absolvição jurídica apaga o julgamento da opinião pública.


Há ainda outro problema: a retórica.


Durante anos, o bolsonarismo fez da desinformação, dos ataques às instituições e da lógica do “nós contra eles” um método de atuação política. Essa estratégia pode funcionar para manter uma base fiel, mas costuma afastar quem busca estabilidade, previsibilidade e capacidade de diálogo.


A vaga de vice virou um símbolo desse isolamento. Não basta dizer que as negociações continuam. Na política, quem tem força atrai aliados. Quem demora demais para formar uma chapa passa a transmitir a imagem de que está convencendo cada vez menos gente.


E isso pesa.


O Brasil precisa de lideranças capazes de unir, dialogar e construir consensos, não de candidatos que transformam cada divergência em uma guerra política. Governar exige muito mais do que discursos inflamados e confrontos permanentes.


Flávio Bolsonaro entra na corrida presidencial tentando convencer o eleitorado de que está preparado para liderar o país. Mas, até agora, ainda não conseguiu resolver o desafio mais básico de uma campanha presidencial: encontrar alguém disposto a caminhar ao seu lado.


Às vezes, uma cadeira vazia fala mais alto do que um palanque cheio.


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