Os Pais da Criança Apareceram no Retrato
- Marcus Modesto
- 1 de jul.
- 4 min de leitura
A inauguração da transposição ferroviária na Barbará produziu uma cena curiosa. Não pelo viaduto, que finalmente começa a mudar uma realidade aguardada há décadas pela população de Barra Mansa. Nem pela obra em si, resultado de investimentos do Governo Federal e de um projeto que atravessou governos, mandatos, promessas e discursos.
O que chamou atenção foi o retrato.
Lá estavam políticos sorridentes, bem posicionados para a foto oficial, como se fossem personagens centrais de uma história da qual, na prática, pouco participaram.
A imagem tem algo de simbólico. Enquanto o deputado Lindbergh discursa, Rodrigo Drable acompanha atentamente, com um olhar que parece misturar aprovação e admiração. Uma cena quase poética para quem conhece a trajetória dessa obra.
Porque a verdade é que o viaduto não nasceu ontem. Não surgiu de uma reunião de última hora. Não apareceu por obra de um discurso inflamado ou de uma postagem em rede social. É fruto de anos de planejamento, recursos federais e uma execução que enfrentou burocracia, paralisações e inúmeros obstáculos.
E justamente aí está a ironia.
Os verdadeiros protagonistas da obra não aparecem na fotografia. O engenheiro que enfrentou problemas técnicos não está lá. Os trabalhadores que encararam sol, chuva e concreto também não. Os governos e equipes que tocaram o projeto ao longo dos anos aparecem apenas nas placas e nos documentos.
Mas os políticos… ah, os políticos sempre encontram um espacinho na foto.
A política brasileira tem uma característica curiosa: quando a obra atrasa, ninguém assume a responsabilidade. Quando a obra fica pronta, surge uma multidão reivindicando a paternidade.
É como aquele vizinho que nunca ajudou a construir a casa, mas aparece no churrasco de inauguração dizendo que sempre acreditou no projeto.
O mais interessante é que muitos dos que hoje sorriem diante das câmeras pouco contribuíram para tirar a transposição do papel. Em alguns momentos, ajudaram menos do que deveriam. Em outros, complicaram mais do que resolveram.
Mas a fotografia não registra bastidores. Ela registra apenas o instante.
E o instante mostra exatamente isso: um grupo de políticos celebrando uma conquista que pertence muito mais ao esforço coletivo de anos do que a qualquer um dos personagens presentes no palco.
No fim das contas, a população de Barra Mansa merece comemorar. Afinal, o viaduto ficará ali depois que os discursos terminarem, depois que os palanques forem desmontados e depois que as fotos desaparecerem das redes sociais.
O concreto permanecerá.
Já os créditos da obra continuarão sendo disputados como sempre acontece na política: por gente que chegou quando a festa já estava pronta e a mesa já estava servida
A inauguração da transposição ferroviária na Barbará produziu uma cena curiosa. Não pelo viaduto, que finalmente começa a mudar uma realidade aguardada há décadas pela população de Barra Mansa. Nem pela obra em si, resultado de investimentos do Governo Federal e de um projeto que atravessou governos, mandatos, promessas e discursos.
O que chamou atenção foi o retrato.
Lá estavam políticos sorridentes, bem posicionados para a foto oficial, como se fossem personagens centrais de uma história da qual, na prática, pouco participaram.
A imagem tem algo de simbólico. Enquanto o deputado Lindbergh discursa, Rodrigo Drable acompanha atentamente, com um olhar que parece misturar aprovação e admiração. Uma cena quase poética para quem conhece a trajetória dessa obra.
Porque a verdade é que o viaduto não nasceu ontem. Não surgiu de uma reunião de última hora. Não apareceu por obra de um discurso inflamado ou de uma postagem em rede social. É fruto de anos de planejamento, recursos federais e uma execução que enfrentou burocracia, paralisações e inúmeros obstáculos.
E justamente aí está a ironia.
Os verdadeiros protagonistas da obra não aparecem na fotografia. O engenheiro que enfrentou problemas técnicos não está lá. Os trabalhadores que encararam sol, chuva e concreto também não. Os governos e equipes que tocaram o projeto ao longo dos anos aparecem apenas nas placas e nos documentos.
Mas os políticos… ah, os políticos sempre encontram um espacinho na foto.
A política brasileira tem uma característica curiosa: quando a obra atrasa, ninguém assume a responsabilidade. Quando a obra fica pronta, surge uma multidão reivindicando a paternidade.
É como aquele vizinho que nunca ajudou a construir a casa, mas aparece no churrasco de inauguração dizendo que sempre acreditou no projeto.
O mais interessante é que muitos dos que hoje sorriem diante das câmeras pouco contribuíram para tirar a transposição do papel. Em alguns momentos, ajudaram menos do que deveriam. Em outros, complicaram mais do que resolveram.
Mas a fotografia não registra bastidores. Ela registra apenas o instante.
E o instante mostra exatamente isso: um grupo de políticos celebrando uma conquista que pertence muito mais ao esforço coletivo de anos do que a qualquer um dos personagens presentes no palco.
No fim das contas, a população de Barra Mansa merece comemorar. Afinal, o viaduto ficará ali depois que os discursos terminarem, depois que os palanques forem desmontados e depois que as fotos desaparecerem das redes sociais.
O concreto permanecerá.
Já os créditos da obra continuarão sendo disputados como sempre acontece na política: por gente que chegou quando a festa já estava pronta e a mesa já estava servida.




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