Paciente com câncer morre após ser submetida a cirurgia por engano em hospital de Campinas
- Marcus Modesto
- 23 de jul.
- 2 min de leitura
Uma paciente de 76 anos faleceu após ser submetida, por engano, a um procedimento cirúrgico destinado a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). O caso ocorreu em junho e está sendo investigado pela instituição, que reconheceu a falha e instaurou uma sindicância interna para apurar responsabilidades.
Jandira Marina Dias Braga estava internada para tratar complicações provocadas pela volta de um câncer de intestino. Enquanto aguardava a definição da equipe médica sobre os próximos passos do tratamento, ela foi encaminhada ao centro cirúrgico e passou por uma gastrostomia endoscópica — procedimento utilizado para a colocação de uma sonda diretamente no estômago.
De acordo com informações registradas no prontuário médico, a cirurgia foi realizada na noite de 8 de junho. O erro só teria sido identificado após o término do procedimento, durante a troca de plantão da equipe de enfermagem. Foi então constatado que a paciente que realmente deveria ser operada permanecia em seu quarto, enquanto Jandira havia sido levada ao centro cirúrgico por engano.
Familiares afirmam que foram chamados pela direção do hospital para uma reunião na qual a falha foi reconhecida. A neta da paciente, Camila Dias Barozzi, relatou que a família recebeu a informação de que o procedimento poderia trazer algum benefício clínico relacionado à obstrução intestinal que a idosa enfrentava. No entanto, ela questiona essa avaliação e aponta que o estado de saúde da avó se agravou rapidamente após a cirurgia.
Segundo o relato dos familiares, Jandira apresentou vômitos, sinais de infecção e alterações cardíacas já no dia seguinte ao procedimento. Registros médicos apontam episódios de confusão mental, queda da pressão arterial, redução da oxigenação e instabilidade clínica, levando à transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Com a evolução do quadro e diante da gravidade da situação, médicos e familiares decidiram adotar cuidados paliativos. Jandira morreu na noite de 11 de junho, três dias após a cirurgia realizada por engano.
A família informou que pretende recorrer à Justiça para esclarecer todas as circunstâncias do caso e buscar eventual responsabilização. Os parentes também questionam se a paciente teria apresentado outro desfecho caso o procedimento indevido não tivesse ocorrido.
Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas classificou o episódio como um evento adverso assistencial, informou que comunicou imediatamente os familiares e garantiu que medidas administrativas foram tomadas contra os profissionais envolvidos, incluindo desligamentos. A instituição acrescentou que revisou protocolos internos e reforçou os procedimentos de identificação de pacientes para evitar novas ocorrências.
O caso também deverá ser analisado pelos órgãos de fiscalização profissional. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) acompanham os desdobramentos e poderão avaliar possíveis responsabilidades éticas após o recebimento da documentação completa sobre a ocorrência.




Comentários