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Paulo Melo tenta voltar à Alerj enquanto Justiça Eleitoral analisa pedido para barrar sua candidatura

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 30 minutos
  • 3 min de leitura

Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio é alvo de impugnação no TRE-RJ; ação reúne histórico de investigações, denúncias e acusações que voltam a colocar sua trajetória política sob escrutínio


O retorno de Paulo Melo à política fluminense começa cercado por uma pergunta incômoda: deve alguém com um histórico tão extenso de investigações e acusações voltar a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro?


A resposta, por enquanto, está nas mãos da Justiça Eleitoral.


O registro da candidatura de Paulo César Melo de Sá, o Paulo Melo, foi contestado no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). A ação, protocolada em 17 de agosto de 2026, tramita sob o número 0601420-46.2026.6.19.0000 e pede que o registro seja indeferido.


A iniciativa não surgiu do nada. A petição apresentada à Justiça Eleitoral recupera um longo histórico envolvendo o ex-presidente da Alerj e argumenta que os elementos reunidos ao longo de diferentes investigações precisam ser considerados na avaliação de sua candidatura.


Um passado que insiste em voltar


Paulo Melo já esteve no centro de algumas das mais importantes investigações contra políticos do Rio de Janeiro.


Ele foi preso em 2017 no âmbito da Operação Cadeia Velha, investigação que atingiu o núcleo político da Assembleia Legislativa e apurou suspeitas de corrupção envolvendo deputados estaduais e empresários do setor de transportes.


Posteriormente, Paulo Melo foi condenado a 12 anos e cinco meses de prisão por corrupção passiva e organização criminosa. Em 2022, entretanto, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal anulou a condenação por entender que ele deveria ter sido novamente interrogado após depoimentos prestados por colaboradores. O caso acabou arquivado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 2026.


Ou seja: não é juridicamente correto afirmar hoje que Paulo Melo está condenado naquele processo.


Mas também seria irresponsável apagar da história política do ex-deputado que ele foi preso, denunciado e condenado em primeira instância antes que a condenação fosse anulada.


Cobertura de US$ 1 milhão e fazenda de R$ 11,2 milhões


Outro episódio citado na documentação remonta a uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em 2020.


Segundo o MPF, empresários ligados a Mário Peixoto e Arthur Soares teriam adquirido, em 2015, um apartamento para Paulo Melo em Miami, avaliado em US$ 1 milhão, utilizando uma empresa offshore para ocultar a operação e a verdadeira propriedade do imóvel.


A denúncia também apontou uma operação envolvendo a aquisição da Fazenda Alvorada, no Pará, por aproximadamente R$ 11,2 milhões.


O MPF sustentou ainda que teriam ocorrido operações fictícias de compra e venda de gado para ocultar vantagens indevidas estimadas em cerca de R$ 1,5 milhão. A própria denúncia do Ministério Público Federal possui um capítulo específico sobre essas transações.


São acusações graves. E é justamente por serem graves que precisam ser tratadas como acusações feitas pelo Ministério Público, e não como crimes definitivamente comprovados.


Da Cadeia Velha à nova batalha eleitoral


A trajetória política de Paulo Melo também foi atingida por outras investigações relacionadas ao ambiente de corrupção que dominou a política fluminense durante os anos de Sérgio Cabral.


O nome do ex-presidente da Alerj apareceu em diferentes desdobramentos da Lava Jato no Rio, entre eles Cadeia Velha, Furna da Onça e Quinto do Ouro. Documentos judiciais da época registraram conexões entre investigações que apuravam pagamento de propina, distribuição de cargos e influência política na Assembleia.


Agora, anos depois, Paulo Melo tenta retornar justamente ao cargo que ocupava quando se tornou um dos personagens mais conhecidos daquele período da política fluminense.


E é aí que surge a questão central desta eleição.


A política tem memória?


Paulo Melo tem o direito de disputar a eleição enquanto não houver decisão judicial que impeça sua candidatura. A própria impugnação apresentada ao TRE-RJ não significa que ele esteja inelegível.


Mas o eleitor também tem o direito de conhecer o passado dos candidatos antes de colocar seu voto na urna.


E o passado de Paulo Melo é extenso demais para ser resumido em uma simples fotografia de campanha.


Ele foi um dos homens mais poderosos da política fluminense, presidiu a Alerj e esteve no centro de um dos períodos mais turbulentos da história recente do Legislativo estadual.


Hoje, tenta retornar ao mesmo Parlamento.


A Justiça Eleitoral terá de decidir se os elementos apresentados na ação são suficientes para impedir esse retorno. O eleitor, por sua vez, terá uma tarefa ainda mais simples e democrática: olhar para a história, separar acusações de condenações, analisar as decisões judiciais e decidir se quer novamente confiar seu voto a Paulo Melo.


O caso ainda está em análise e não existe, até o momento, decisão definitiva do TRE-RJ declarando Paulo Melo inelegível. A defesa deverá ter amplo direito de manifestação no processo.


Mas uma coisa já está clara: a tentativa de voltar à Alerj não será uma volta tranquila. O passado de Paulo Melo voltou para a campanha — desta vez, pelas portas da Justiça Eleitoral.



 
 
 

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