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PF aponta Fábio Faria como intermediário entre Vorcaro e Moraes

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 5 horas
  • 5 min de leitura

Relatório da Polícia Federal indica encontros entre o ex-dono do Banco Master e o ministro do STF, além de mensagens sobre pagamentos ao escritório da esposa de Moraes; documentos divulgados nesta segunda-feira ampliam questionamentos sobre a relação entre os envolvidos


Brasília – As investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, ganharam novos e graves desdobramentos nesta segunda-feira, 1º de setembro. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro apontam que o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria atuou como interlocutor em contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).


Os diálogos fazem parte de um relatório da Polícia Federal que passou a reunir informações sobre encontros e contatos entre Vorcaro e Moraes. A investigação aponta indícios de ao menos seis encontros entre os dois entre novembro de 2024 e agosto de 2025, segundo informações divulgadas após a análise do material apreendido no telefone do empresário.


Em uma das conversas, Faria teria encaminhado a Vorcaro uma mensagem atribuída a Alexandre de Moraes propondo um encontro no dia seguinte, às 19h30. O horário teria sido confirmado posteriormente com o banqueiro. Em outras mensagens, o então ex-ministro afirma que iria “remarcar com Alex” e pede o endereço da residência de Vorcaro para repassá-lo ao ministro.


Em determinado momento, Faria afirma que apagaria posteriormente a informação enviada.


O relatório também reúne outros indícios de encontros. Em uma mensagem datada de 15 de novembro de 2024, Vorcaro escreveu que estava “com alexandre moraes”. Em outro diálogo analisado pelos investigadores, um motorista do empresário informa a chegada do “Min Alexandre”.


Mensagens mostram proximidade e agradecimento


A nova documentação divulgada nesta segunda-feira também trouxe mensagens diretas atribuídas a Vorcaro e Moraes. Segundo o relatório da PF, após um encontro marcado na residência do empresário, Vorcaro afirmou ter uma “dívida de vida” com o ministro e agradeceu por “tudo”.


Outro conjunto de mensagens analisado pela Polícia Federal indica que Vorcaro buscava a ajuda do ministro diante do avanço das investigações contra o Banco Master.


Segundo as informações divulgadas, o banqueiro demonstrava preocupação com medidas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República e chegou a questionar se deveria deixar o país. Os investigadores analisam se a relação entre os dois envolveu tentativas de interferência ou obtenção antecipada de informações sobre procedimentos investigativos.


Contrato de R$ 131 milhões também está no centro das investigações


A relação entre Vorcaro e o ministro ganhou ainda maior repercussão por causa de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.


O acordo previa pagamentos que chegavam a aproximadamente R$ 131 milhões durante três anos. O documento estabelecia uma remuneração mensal milionária ao escritório.


A principal novidade revelada nesta segunda-feira é que a análise dos metadados do arquivo indicou que o documento foi editado em um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.


Segundo as informações divulgadas pela imprensa a partir do material analisado pela Polícia Federal, a edição ocorreu antes da assinatura do contrato. O caso foi inicialmente revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmado por outros veículos nacionais.


Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que o setor de compliance consultou Alexandre de Moraes antes da contratação para verificar a existência de eventuais impedimentos legais, levando em consideração o fato de ele ser marido da sócia-diretora do escritório.


A defesa sustenta que as informações solicitadas ao ministro tinham como objetivo verificar se existiam processos no STF sob sua relatoria ou julgamentos que envolvessem interesses do Banco Master. Segundo o escritório, a contratação só foi concluída após a avaliação de que não existia impedimento.


Pagamento era tratado como “o mais importante”


As mensagens encontradas pela PF também chamaram atenção pela maneira como Vorcaro tratava os pagamentos ao escritório da esposa de Moraes.


Segundo diálogos divulgados nesta segunda-feira, o empresário demonstrou preocupação com atrasos e teria classificado o contrato como o “mais importante” do Banco Master.


Em fevereiro de 2024, houve um pagamento de R$ 3,4 milhões ao escritório. Já em março daquele ano, segundo as mensagens analisadas, Fábio Faria teria enviado a Vorcaro a frase: “O careca não pode atrasar”, em referência que, segundo o contexto analisado pelos investigadores, estaria relacionada a Alexandre de Moraes.


Em outra conversa, Vorcaro reclamou do atraso no pagamento e determinou que a situação fosse resolvida. Mensagens também indicam preocupação do empresário com a forma como os pagamentos seriam registrados.


Esses elementos passaram a ser analisados no contexto da investigação sobre a relação entre Vorcaro, empresas do grupo e pessoas que mantinham contato com ele.


Segundo contrato de R$ 50 milhões amplia caso


Como se não bastasse o contrato de R$ 131 milhões, um novo desdobramento divulgado nesta segunda-feira aponta para a existência de uma segunda negociação entre uma empresa ligada a Daniel Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes.


Segundo relatório da Polícia Federal citado pela imprensa, o novo contrato teria valor de R$ 50 milhões. Parte do pagamento teria sido discutida por meio da transferência de participação em uma aeronave e em um helicóptero.


A banca de Viviane Barci de Moraes informou, entretanto, que apenas o contrato de aproximadamente R$ 130 milhões foi efetivamente assinado e que a segunda negociação não se concretizou.


A Polícia Federal ainda analisa se houve efetiva transferência de bens ou pagamentos relacionados a essa segunda negociação.


Caso coloca relações sob escrutínio


A divulgação do relatório amplia significativamente o escrutínio sobre a relação mantida entre Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes e Fábio Faria.


Até agora, as informações reveladas mostram uma sequência de encontros, mensagens, negociações contratuais e contatos pessoais que passaram a integrar o material investigativo relacionado ao Banco

Master.


É importante destacar que a existência das mensagens e dos registros mencionados pela Polícia Federal não significa, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual crime cometido por Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes ou Fábio Faria. O material ainda está sujeito à análise das autoridades competentes, e os envolvidos têm direito à defesa e ao contraditório.


Mas o conteúdo divulgado nesta segunda-feira aumenta a pressão por esclarecimentos públicos sobre uma relação que agora envolve encontros pessoais, contratos milionários, mensagens sobre pagamentos e a participação de um ex-ministro do governo Bolsonaro como interlocutor entre o banqueiro e um dos ministros mais poderosos do Supremo Tribunal Federal.


Com a divulgação de novos documentos e conversas, o chamado Caso Banco Master deixa de ser apenas uma investigação sobre operações financeiras e passa a lançar uma sombra cada vez maior sobre as relações estabelecidas entre grandes empresários, autoridades públicas e integrantes das mais altas instituições da República.


 
 
 

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