PF aponta repasses a Ciro Nogueira e hospedagens pagas para Hugo Motta em investigação do caso Banco Master
- Marcus Modesto
- 17 de jun.
- 3 min de leitura
Novos documentos reunidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero colocaram o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), no centro de uma investigação que apura supostos benefícios concedidos pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
As informações foram anexadas ao processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e fazem parte do conjunto de provas analisado pelos investigadores sobre a atuação do grupo empresarial ligado à família Vorcaro.
De acordo com relatórios da Polícia Federal, Ciro Nogueira teria sido beneficiado por repasses financeiros periódicos que, segundo estimativa dos investigadores, alcançaram pelo menos R$ 6 milhões entre os anos de 2024 e 2025. A suspeita se baseia em mensagens, registros financeiros e documentos apreendidos durante a operação.
Os investigadores afirmam ter identificado conversas entre Daniel Vorcaro e seu primo, Felipe Vorcaro, tratando da manutenção de pagamentos mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Em um dos diálogos analisados, Daniel demonstra preocupação com o atraso de depósitos destinados a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”, nome que a Polícia Federal relaciona ao senador.
A apuração também alcança empresas associadas à família do parlamentar. Segundo a PF, movimentações envolvendo sociedades empresariais ligadas aos dois grupos apresentam indícios que podem caracterizar mecanismos de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Entre os negócios sob análise está a aquisição de participação societária na Green Investimentos S.A. por empresa ligada à família de Ciro Nogueira. Os investigadores apontam que a operação teria sido realizada por valor significativamente inferior à avaliação estimada do ativo, circunstância considerada relevante para a apuração.
Além dos repasses financeiros, a Polícia Federal identificou despesas pessoais atribuídas ao senador que teriam sido custeadas pelo empresário. Os registros incluem hospedagens em hotéis de luxo, gastos com viagens internacionais e utilização de aeronaves particulares.
Segundo a investigação, apenas as despesas relacionadas a viagens ao exterior somam aproximadamente R$ 468 mil. Entre os destinos mencionados nos documentos estão Paris, Lisboa, Nova York e Courchevel, tradicional estação de esqui localizada nos Alpes franceses.
Em Nova York, conforme os registros obtidos pela PF, Ciro Nogueira teria permanecido durante seis dias em uma suíte de alto padrão no Park Hyatt, com custo aproximado de R$ 245 mil.
Os investigadores também encontraram planilhas contendo anotações que mencionam valores em espécie associados ao nome do senador, material que passou a integrar a análise financeira do caso.
Outro trecho da investigação trata de uma viagem realizada a Lisboa, em junho de 2024, que contou com a presença de Ciro Nogueira e de Hugo Motta. Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro arcou com os custos de hospedagem dos dois parlamentares no luxuoso Four Seasons Ritz Lisboa.
As reservas teriam garantido cinco diárias para cada convidado durante a realização de encontros empresariais e jurídicos na capital portuguesa. O custo estimado das acomodações supera R$ 90 mil por suíte.
Mensagens apreendidas pela PF indicam ainda uma preocupação especial do empresário com a privacidade dos participantes. Em conversas anexadas ao inquérito, Vorcaro solicita reforço nos esquemas de segurança e restrição de acesso aos locais onde ocorreriam os encontros.
Procurado para comentar o caso, Hugo Motta declarou que considera natural sua participação em eventos corporativos e jurídicos, afirmando não enxergar irregularidades relacionadas à hospedagem. O presidente da Câmara também afirmou acompanhar as investigações com tranquilidade.
Até o momento, Ciro Nogueira não se pronunciou sobre as novas suspeitas apontadas pela Polícia Federal. Em fases anteriores da operação, o senador negou qualquer envolvimento em práticas ilegais.
A investigação segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República analisam a possível ocorrência de crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o sistema financeiro.




Comentários