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PF aponta suspeita de esquema financeiro ligado a empresas da família de Ciro Nogueira

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

A Polícia Federal identificou indícios de um suposto esquema de movimentação financeira que teria utilizado empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira para circular recursos considerados suspeitos. As conclusões constam de análises baseadas em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


De acordo com os investigadores, as movimentações envolveriam empresas controladas por integrantes das famílias Nogueira e Vorcaro, formando uma rede de transações que, segundo a apuração, operava de forma integrada. Entre as companhias citadas estão a CNLF, vinculada ao senador, e a BRGD, administrada por familiares do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.


A investigação sustenta que os recursos circularam entre diferentes empresas e pessoas físicas, em operações que teriam alcançado milhões de reais entre 2024 e 2025. Para a PF, há sinais de que parte dessas movimentações possa ter sido utilizada para ocultar a origem dos valores e dificultar o rastreamento dos beneficiários finais.


No relatório, os investigadores descrevem a existência de mecanismos que incluiriam circulação de recursos entre empresas do mesmo grupo econômico, uso frequente de dinheiro em espécie e participação de terceiros nas operações financeiras. Segundo a corporação, o conjunto de transações apresenta características compatíveis com estratégias de lavagem de dinheiro.


A Polícia Federal também aponta uma relação próxima entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. Entre os elementos analisados estão registros de viagens, despesas compartilhadas e documentos que, segundo a investigação, demonstrariam vínculo de confiança entre ambos.


Outro foco da apuração envolve a fintech PJBank, apontada como intermediária em parte das transferências. Conforme a PF, cerca de R$ 3 milhões teriam sido enviados ao grupo empresarial ligado ao senador entre 2020 e 2025. A instituição foi procurada, mas não havia se manifestado até a divulgação das informações.


As empresas CNLF e CN Motos aparecem como peças centrais da investigação. Segundo os relatórios, ambas teriam recebido recursos considerados suspeitos, posteriormente incorporados ao fluxo financeiro regular das empresas e redistribuídos dentro da estrutura empresarial e familiar. O Coaf identificou mais de R$ 13 milhões em operações classificadas como atípicas relacionadas ao grupo analisado.


Os investigadores também destacaram depósitos em espécie que somam aproximadamente R$ 3,5 milhões realizados por um funcionário da CN Motos. As operações ocorreram em períodos próximos a transferências da empresa para a conta pessoal do senador, fato que chamou a atenção dos órgãos de controle.


Além disso, a PF afirma ter encontrado movimentações financeiras envolvendo servidores públicos e pessoas com renda considerada incompatível com os valores transferidos. Em alguns casos, os investigadores apontam suspeitas de utilização de intermediários, conhecidos como “laranjas”, para dificultar a identificação dos reais destinatários dos recursos.


A investigação ainda menciona transações envolvendo agentes políticos. Entre elas, uma transferência de R$ 357 mil realizada pelo deputado federal Jadyel Alencar para a CN Motos. O parlamentar informou que o pagamento se referia à aquisição de uma aeronave.


Outro ponto analisado envolve repasses feitos pela empresa a uma companhia de pequeno porte sediada em Teresina, cuja sócia é servidora pública estadual. A PF apura se as operações possuem justificativa econômica compatível com os valores movimentados.


Até o momento, as investigações seguem em andamento, e os fatos citados nos relatórios representam hipóteses e suspeitas levantadas pelos órgãos de apuração, ainda sujeitas à análise e eventual manifestação dos envolvidos.




 
 
 

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