PF indicia suplente de Davi Alcolumbre em investigação sobre contratos milionários do Dnit no Amapá
- Marcus Modesto
- há 10 horas
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A Polícia Federal concluiu o inquérito que apura suspeitas de fraude em licitações e desvios de recursos públicos envolvendo contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá. Entre os indiciados está o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, apontado pelos investigadores como integrante de um grupo suspeito de atuar no direcionamento de contratos ligados às obras da BR-156.
O relatório final foi encaminhado à Justiça Federal em Macapá e o processo tramita sob segredo de Justiça. Segundo a PF, Breno Chaves Pinto foi indiciado pelos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa.
Também foi indiciado o superintendente regional do Dnit no estado, Marcello Linhares, investigado por associação criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação.
A apuração ganhou força após investigadores monitorarem o empresário realizando um saque de R$ 350 mil em espécie, em novembro de 2024, em uma agência bancária. De acordo com o inquérito, após deixar o banco, Breno entrou em uma SUV registrada em nome de uma empresa ligada a familiares do senador Davi Alcolumbre. A Polícia Federal aponta que a transferência oficial do veículo para o empresário ocorreu apenas meses depois.
Mensagens obtidas durante a investigação também indicariam contato frequente entre Breno Chaves Pinto e Marcello Linhares sobre contratos, obras e liberações orçamentárias relacionadas ao Dnit no Amapá.
Em um dos diálogos citados no relatório, o superintendente regional teria pedido que o empresário atuasse junto ao senador para pressionar o governo federal em favor da liberação de recursos destinados às obras rodoviárias.
Segundo a PF, Breno utilizaria a condição de suplente parlamentar para exercer influência dentro da estrutura regional do Dnit e interferir em negociações envolvendo contratos públicos.
As suspeitas concentram-se principalmente em obras da BR-156, considerada uma das principais rodovias do estado. Auditorias da Controladoria-Geral da União identificaram indícios de irregularidades em contratos que somam cerca de R$ 60,2 milhões.
O indiciamento representa uma fase preliminar da investigação criminal. Caberá agora ao Ministério Público Federal analisar o material produzido pela Polícia Federal e decidir se apresenta denúncia formal à Justiça. Caso a denúncia seja aceita, os investigados passam à condição de réus.
Em nota, o Dnit afirmou que colabora integralmente com as investigações e repudiou qualquer prática de corrupção ou fraude em contratos públicos.
A defesa de Breno Chaves Pinto declarou anteriormente que o valor sacado em espécie seria destinado ao pagamento de funcionários e prestadores de serviço da empresa do empresário. Os advogados também afirmaram que, por tramitar sob segredo de Justiça, as manifestações ocorrerão apenas nos autos do processo.
Já a assessoria do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou que o parlamentar não possui relação com a atuação empresarial do suplente nem interfere em contratos ou decisões administrativas do Dnit.
A nota destaca ainda que não há indícios de participação direta do senador nas supostas irregularidades investigadas e defende a responsabilização de eventuais envolvidos caso sejam confirmados desvios de recursos públicos.
O avanço da investigação aumenta a pressão sobre contratos de infraestrutura no Amapá, especialmente nas obras da BR-156, consideradas estratégicas para a integração logística e econômica do estado.




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