PF investiga se dinheiro de Vorcaro bancou casa e despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Novos documentos colocam sob investigação a origem dos recursos utilizados pelo ex-deputado para se manter nos Estados Unidos; mensagens e transferências ligam o caso ao financiamento do filme “Dark Horse”
A pergunta sobre quem paga a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos ganhou um novo capítulo — e agora está no centro das investigações da Polícia Federal.
Documentos revelados no âmbito do caso Banco Master indicam que a PF investiga se recursos repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, foram utilizados também para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
A suspeita já havia aparecido em maio, mas ganhou novos elementos com a divulgação de documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal em setembro. A investigação procura identificar o destino efetivo do dinheiro movimentado entre as estruturas ligadas ao filme e os Estados Unidos.
A casa e a pergunta que permanece
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e afirma que mora de aluguel. Uma reportagem do The Intercept Brasil apontou que ele vive em uma casa de luxo no Texas, com aluguel estimado em aproximadamente US$ 5.950 mensais.
A controvérsia aumentou depois que veio à tona a existência de um imóvel adquirido por uma estrutura ligada ao advogado Paulo Calixto, que atua no entorno de Eduardo. O ex-deputado, entretanto, nega morar nessa casa e afirma que seu imóvel é alugado.
O ponto central agora é outro: quem efetivamente bancou as despesas de Eduardo nos Estados Unidos?
A PF não trata a questão como encerrada. Ao contrário, a origem e o destino dos recursos estão entre os pontos investigados.
R$ 61 milhões de Vorcaro
O caso se conecta ao financiamento de “Dark Horse”.
Segundo as investigações e reportagens baseadas nos documentos do inquérito, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para estruturas relacionadas à produção do filme. A operação passou a chamar a atenção da PF porque os recursos circularam por estruturas nos Estados Unidos e porque surgiram mensagens envolvendo integrantes da família Bolsonaro.
A investigação procura determinar se todo o dinheiro realmente foi empregado na produção cinematográfica ou se parte teve outra destinação.
Flávio Bolsonaro afirma que os recursos foram integralmente destinados ao filme. O relatório da PF, porém, aponta a necessidade de esclarecer a movimentação financeira e o destino de valores.
Eduardo aparece nas mensagens
Um dos pontos mais delicados surgiu com mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro.
Segundo reportagem do UOL baseada no relatório da PF, Eduardo e Flávio Bolsonaro pediram uma reunião com Vorcaro no mesmo dia em que Eduardo anunciou que iria se mudar para os Estados Unidos.
A mensagem teria sido enviada pelo publicitário Thiago Miranda, que fazia a intermediação das conversas entre o banqueiro e pessoas ligadas à família Bolsonaro.
Para a investigação, a coincidência temporal é relevante porque a PF tenta descobrir se houve alguma relação entre a mudança de Eduardo para os EUA e o dinheiro destinado ao projeto cinematográfico. Eduardo nega ter se reunido com Vorcaro e nega qualquer relação entre sua mudança e os recursos do filme.
E surge outra informação
Outro documento divulgado em setembro tornou o caso ainda mais sensível.
Segundo a PF, Eduardo teria apresentado orientações sobre maneiras de administrar nos Estados Unidos recursos relacionados ao “Dark Horse”. As orientações teriam sido encaminhadas a Vorcaro por Thiago Miranda.
O conteúdo é importante porque coloca Eduardo não apenas como personagem periférico na investigação financeira, mas como alguém que, segundo o relatório policial, teria participado de discussões sobre a movimentação dos recursos no exterior.
Afinal, Vorcaro pagou a casa?
Aqui é preciso fazer uma distinção fundamental.
Não há, até o momento, comprovação pública de que Vorcaro tenha feito diretamente o pagamento do aluguel da casa em que Eduardo afirma morar.
O que existe é uma investigação da Polícia Federal sobre a possibilidade de recursos originados de Vorcaro terem sido utilizados para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
Portanto, dizer simplesmente que “Vorcaro comprou a casa de Eduardo” ultrapassa aquilo que os documentos públicos permitem afirmar neste momento.
Mas também já não é correto tratar a questão como uma simples história de aluguel sem maiores implicações.
A PF está investigando justamente se o dinheiro de Vorcaro chegou ao entorno de Eduardo e se parte desses recursos foi utilizada para bancar sua permanência nos Estados Unidos.
A conta que precisa ser explicada
Eduardo afirma que possui recursos próprios para se manter nos Estados Unidos. Também já foi informado publicamente que Jair Bolsonaro transferiu dinheiro ao filho.
Mas a investigação acrescentou uma pergunta muito mais séria: qual foi o caminho percorrido pelo dinheiro de Vorcaro e onde ele terminou?
Se uma parte dos recursos destinados ao filme acabou financiando despesas particulares de Eduardo, será necessário identificar:
• quem recebeu o dinheiro;
• por qual empresa ou fundo;
• quanto foi transferido;
• quem autorizou as operações;
• qual foi a finalidade declarada;
• e quem efetivamente pagou as despesas nos Estados Unidos.
É justamente essa trilha financeira que a Polícia Federal tenta reconstruir.
O caso está longe de ser apenas sobre uma casa
A discussão sobre a residência de Eduardo Bolsonaro acabou se tornando uma porta de entrada para uma investigação muito maior.
De um lado, existe um banqueiro investigado no caso Banco Master e o repasse milionário para um filme sobre Jair Bolsonaro. De outro, aparecem estruturas financeiras nos Estados Unidos, pessoas próximas à família Bolsonaro e mensagens sobre a administração de recursos no exterior.
No meio dessa história está Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e nega ter recebido dinheiro de Vorcaro.
A pergunta que permanece não é apenas quem é o proprietário da casa. É quem pagou as contas e de onde saiu o dinheiro.
E, agora, essa resposta está sendo procurada pela Polícia Federal.




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