Piauí revela mensagens sobre suposta orgia de Vorcaro com ministro do STF em tríplex de luxo
Conversas extraídas do celular do banqueiro detalham a organização do encontro em São Paulo, com relatos de mulheres, convidados nus na piscina e objetos encontrados após a saída; Kassio Nunes Marques nega contato direto com Vorcaro e qualquer pedido de favores.
Uma reportagem da revista Piauí revelou mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que detalham a organização de um encontro privado em seu tríplex de luxo, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. O evento ocorreu em 28 de fevereiro de 2025 e, segundo a publicação, teria contado com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e de cinco mulheres contratadas para a ocasião.
Ao todo, a revista teve acesso a 125 mensagens relacionadas à organização do encontro. As conversas envolvem motoristas, um chef de cozinha, o mordomo do imóvel e uma intermediária responsável pelo agenciamento de garotas de programa. Os registros apontam que Vorcaro acompanhou os preparativos e orientou funcionários sobre a recepção dos convidados.
Em uma conversa com Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Banco Master, o banqueiro afirmou que estava “fazendo graça para ministro em SP”. Em outro diálogo, o mordomo Michael relatou que havia disponibilizado um quarto para o ministro e cinco mulheres.
Festa teve preparação antecipada e gastos de milhares de reais
Segundo a Piauí, a organização começou em 26 de fevereiro, dois dias antes do encontro. Na ocasião, o desembargador Newton Ramos teria solicitado ao agente de viagens de Vorcaro uma reserva no Hotel Fasano, localizado no mesmo bairro, mencionando as iniciais “KN”, associadas ao ministro.
Paralelamente, Vorcaro entrou em contato com o chef José Maria Meira para organizar um churrasco. As compras para a recepção incluíram carnes, caviar e trufas, com uma despesa de R$ 21.121,90. Considerando os demais profissionais envolvidos, os gastos teriam alcançado aproximadamente R$ 27 mil.
O banqueiro também deu instruções para a preparação dos ambientes e orientou a intermediária a pedir que as mulheres não levassem celulares.
Na manhã do dia do encontro, Vorcaro ainda tratava de problemas nas automações do apartamento, do ar-condicionado e da retirada de um sofá da varanda. À tarde, passou a acompanhar a chegada dos convidados por meio de mensagens enviadas pelos motoristas.
Mensagens descrevem convidados nus na piscina
Os relatos do mordomo voltaram a aparecer com maior frequência durante a noite. Em uma das conversas, Michael informou que havia emprestado um quarto ao ministro e a cinco mulheres. Depois de tentar contato com Vorcaro, recebeu autorização para disponibilizar o espaço.
Às 22h08, o funcionário relatou que os convidados estavam nus na piscina. Na mesma comunicação, informou que uma das mulheres havia passado mal e vomitado, mas já estava bem.
A reportagem também menciona chocolates disponíveis na residência, incluindo uma variedade que conteria cogumelos alucinógenos. As mensagens citadas, porém, não esclarecem qual produto estava sendo servido.
De acordo com os registros apresentados pela revista, o ministro deixou o apartamento por volta das 23h17. Pouco depois, o mordomo enviou fotografias de preservativos usados encontrados sobre um tapete e de uma peça de roupa íntima localizada entre o lençol e a fronha de uma cama.
Na manhã seguinte, Vorcaro dispensou a faxineira, informando que ela não precisaria comparecer naquele dia.
No mesmo dia, banqueiro discutia problemas financeiros do Master
Enquanto acompanhava os preparativos da recepção, Vorcaro também tratava de questões financeiras envolvendo o Banco Master.
Segundo a reportagem, uma mensagem recebida naquela tarde informava que a instituição utilizava R$ 800 milhões de recursos do depósito compulsório, valores que os bancos devem manter no Banco Central. Vorcaro teria respondido que a situação seria regularizada após o Carnaval e mencionado negociações para a venda de carteiras e a captação de novos recursos.
À noite, outra mensagem indicava que o montante utilizado havia subido para R$ 1,25 bilhão. O banqueiro questionou o aumento e afirmou a um executivo que pretendia demitir Alberto Felix de Oliveira Neto e reassumir diretamente a gestão para tentar salvar a instituição.
Naquele período, o Master também negociava uma operação com o Banco de Brasília (BRB), anunciada no mês seguinte.
Reportagem cita transferências e processos judiciais
A publicação também relaciona o encontro a outros episódios envolvendo Vorcaro e Nunes Marques.
Conforme a revista, cinco meses antes da reunião no tríplex, o ministro havia desempatado, na Segunda Turma do STF, o julgamento do chamado caso Alcídia, relacionado a precatórios do setor sucroalcooleiro. Mensagens atribuídas ao banqueiro e a seus advogados indicariam que eles comemoraram o resultado.
A Piauí afirma ainda que o Banco Master transferiu R$ 6,6 milhões, em 14 operações, à empresa Consult Inteligência Tributária. Desse total, R$ 282 mil teriam sido repassados diretamente a Kevin Marques, filho do ministro.
A reportagem também aponta mensagens que indicariam pagamentos mensais de R$ 500 mil de Vorcaro a Kevin e relata que a defesa do banco solicitou, em três ocasiões, que processos relacionados à instituição fossem conduzidos por Nunes Marques, em vez do ministro André Mendonça.
Os dados apresentados levantam questionamentos sobre possíveis relações financeiras e conflitos de interesse. A existência de transferências ou de contatos mencionados em mensagens, entretanto, não comprova, por si só, a prática de irregularidades pelo ministro ou por seu filho.
Kassio Nunes Marques nega favorecimento
Em resposta à revista, Kassio Nunes Marques negou ter trocado mensagens com Daniel Vorcaro, solicitado favores ou atuado para beneficiá-lo.
Em nota, o ministro declarou: “O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro”.
A manifestação acrescenta que o magistrado nunca autorizou terceiros a falar em seu nome e que não pode ser responsabilizado por conversas ou ações de outras pessoas.
A divulgação das mensagens amplia a repercussão do caso Banco Master e coloca sob escrutínio as relações descritas pela reportagem entre o banqueiro, pessoas próximas e integrantes de diferentes setores do poder. Os relatos sobre o encontro e as possíveis conexões financeiras exigem apuração, com distinção entre o conteúdo atribuído às mensagens, as alegações publicadas e os fatos eventualmente comprovados pelas autoridades.
Foto Reprodução




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