Polícia faz operação contra expansão do Comando Vermelho em Paraty
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (16), a Operação Alba, para combater a expansão do Comando Vermelho em Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro. A ação investiga suspeitos de integrar a facção e de atuar na cobrança de taxas de comerciantes e prestadores de serviços, além da exploração de pontos de venda de drogas.
Os mandados de prisão e de busca e apreensão são cumpridos simultaneamente em Paraty, na cidade do Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A operação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), com apoio do 5º Departamento de Polícia de Área (5º DPA) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Segundo as investigações, integrantes do Comando Vermelho teriam estabelecido um sistema de cobrança para permitir que comerciantes e trabalhadores continuassem exercendo suas atividades. Entre os alvos das cobranças estão barqueiros que transportam turistas, além de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços.
A investigação também aponta para a atuação da facção no controle de pontos de venda de drogas. De acordo com a Polícia Civil, a Operação Alba pretende obter novas provas, identificar outros integrantes e esclarecer como funciona a estrutura mantida pelo grupo criminoso no município. A apuração inclui ainda a movimentação financeira relacionada às atividades atribuídas aos suspeitos.
Cobranças atingem setor turístico
A investigação ocorre em meio a relatos de comerciantes e moradores sobre ameaças e cobranças ilegais em diferentes áreas de Paraty. Reportagem publicada nesta quarta-feira aponta que valores cobrados de comerciantes e trabalhadores podem variar entre R$ 500 e R$ 1 mil mensais, segundo relatos reunidos pela imprensa.
As denúncias atingem também áreas turísticas e comunidades caiçaras, incluindo Trindade, onde comerciantes de restaurantes, lanchonetes e pousadas teriam sido procurados para realizar pagamentos. Há ainda relatos de represálias contra pessoas que se recusaram a pagar.
O setor de transporte marítimo também aparece entre os pontos investigados. Barqueiros que trabalham no cais de Paraty e levam turistas para praias e ilhas da região estariam entre os profissionais submetidos às cobranças investigadas.
A situação preocupa especialmente por envolver uma atividade diretamente ligada ao turismo, uma das principais bases da economia local. A eventual imposição de taxas por grupos criminosos representa, segundo as autoridades, uma forma de ampliar o controle territorial e financeiro sobre atividades econômicas.
Denúncias sobre tráfico aumentaram
Dados divulgados pela imprensa a partir de registros do Disque Denúncia mostram crescimento das denúncias relacionadas ao tráfico de drogas em Paraty. Segundo levantamento citado pela Folha, foram 81 registros em 2024 e 152 em 2025. Somente a região de Trindade concentrou 45 denúncias de tráfico no ano passado.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Disque Denúncia recebeu cinco registros relacionados especificamente a possíveis casos de extorsão em bairros e localidades como Caboré, Chácara, Pontal, São Gonçalo e Trindade. No mesmo período, foram contabilizadas 55 denúncias anônimas relacionadas ao tráfico de drogas no município.
As autoridades ressaltam, porém, que os números de denúncias não representam necessariamente a quantidade real de crimes ocorridos, já que parte das vítimas pode deixar de procurar os canais oficiais por medo de represálias.
Polícia intensifica atuação
A Polícia Militar informou que vem ampliando as ações de inteligência e o patrulhamento em áreas consideradas sensíveis de Paraty. Segundo a corporação, o trabalho envolve a coleta e checagem de informações e denúncias, além da integração com outros órgãos públicos e instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado.
A Polícia Civil afirma que a Operação Alba busca atingir tanto a estrutura operacional quanto a financeira da organização criminosa. A estratégia inclui a identificação de pessoas envolvidas, levantamento de recursos movimentados pelo grupo e interrupção das atividades criminosas investigadas.
Até o momento da publicação desta reportagem, não haviam sido divulgados oficialmente o número final de presos ou o balanço completo das apreensões realizadas durante a operação.
As investigações continuam para determinar a extensão da atuação do grupo em Paraty e identificar outros possíveis envolvidos.
Foto Reprodução




Comentários