Prefeito de Barra Mansa transforma fiscalização em palco para autopromoção nas redes sociais
- Marcus Modesto
- 4 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Barra Mansa – Um cidadão foi multado em R$ 5 mil por descarte irregular de lixo no município, mas o que deveria ser uma ação rotineira de fiscalização acabou virando palco para mais um espetáculo nas redes sociais. O próprio prefeito foi até o local, entregou a multa pessoalmente ao morador e ainda protagonizou uma discussão gravada em vídeo, que foi parar na internet em tom de “lacração”.
A cena gerou repercussão imediata, mas levanta questionamentos sobre o verdadeiro objetivo da atitude: seria mesmo pela ordem e pelo respeito ao meio ambiente, ou uma estratégia de marketing para alimentar seguidores e likes nas redes?
É evidente que o descarte irregular deve ser combatido com firmeza. Mas quando a autoridade máxima do município se coloca como fiscal, juiz e influenciador digital ao mesmo tempo, o que se vê é a mistura entre o exercício do poder público e o uso político da imagem. Em vez de fortalecer as instituições responsáveis — como a Secretaria de Ordem Pública, a Guarda Municipal e os fiscais ambientais —, o prefeito opta por encenar o ato como se fosse um episódio de reality show.
O cidadão errou? Sim. Mas a resposta do poder público não pode ser pautada pelo espetáculo. O que deveria ser exemplo de educação ambiental e cidadania virou um constrangimento público, em que uma figura de autoridade se exibe diante da fragilidade de um morador, com a câmera ligada e os olhos voltados para a popularidade digital.
Governar não é performar. A cidade precisa de soluções estruturais, fiscalização permanente e educação ambiental contínua — não de vídeos com trilha dramática e legendas para viralizar. Afinal, o combate ao descarte irregular se faz com política pública séria, e não com holofotes.




Comentários