Receita Federal expõe império financeiro do PCC de R$ 30 bilhões com uso de fundos e rede de combustíveis
- Marcus Modesto
- há 3 horas
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A Receita Federal revelou nesta quinta-feira detalhes do gigantesco esquema criminoso do Primeiro Comando da Capital (PCC), que movimentou cifras superiores a R$ 30 bilhões e se infiltrou em diversos setores da economia. A investigação aponta que a facção estruturou 40 fundos de investimentos para ocultar recursos ilícitos, utilizando estratégias financeiras complexas que dificultavam a rastreabilidade do dinheiro, segundo informações do g1.
Os fundos eram fechados, com apenas um cotista — geralmente outro fundo controlado pelo grupo —, o que permitia a circulação de grandes quantias sem chamar atenção das autoridades. O resultado foi a formação de um império empresarial paralelo, com aquisições que vão de fazendas e imóveis de luxo até usinas, portos e postos de combustíveis.
Crime financiou compra de terminal portuário e centenas de empresas
Entre os bens já identificados estão seis fazendas no interior de São Paulo, avaliadas em R$ 31 milhões, e uma mansão em Trancoso (BA), adquirida por R$ 13 milhões. O PCC também financiou a compra de um terminal portuário, quatro usinas de álcool, mais de 100 imóveis distribuídos pelo país e uma frota de 1.600 caminhões usada no transporte de combustíveis.
O domínio sobre o setor de combustíveis foi estratégico: a facção assumiu o controle de cerca de 1.000 postos em 10 estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais. Esses estabelecimentos não apenas comercializavam combustível adulterado, como também funcionavam como centros de lavagem de dinheiro, com recebimentos em espécie e uso de maquininhas de cartão para disfarçar a origem ilícita dos valores.
Principais aquisições do PCC, segundo a Receita Federal:
• 6 fazendas no interior de São Paulo, avaliadas em R$ 31 milhões.
• 1 mansão em Trancoso (BA), comprada por R$ 13 milhões.
• 1 terminal portuário voltado à logística de combustíveis.
• 4 usinas de álcool, além de outras duas em negociação.
• 1.600 caminhões para transporte de combustíveis.
• Mais de 100 imóveis em diferentes estados.
• 1.000 postos de combustíveis em 10 estados.
• R$ 46 bilhões movimentados pela fintech BK Bank.
• R$ 52 bilhões movimentados em operações nos postos de combustíveis.
• R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais sonegados.
Banco paralelo movimentou R$ 46 bilhões em quatro anos
A chamada BK Bank, fintech criada pelo PCC, funcionava como um banco paralelo. Entre 2020 e 2024, movimentou R$ 46 bilhões sem qualquer rastreabilidade, atuando como peça central na engrenagem financeira da facção.
Em paralelo, os postos de combustíveis movimentaram mais de R$ 52 bilhões no mesmo período. No entanto, a arrecadação de impostos foi irrisória diante do volume declarado. A Receita já autuou os envolvidos em R$ 891 milhões, e ao menos 140 postos ainda estão sob investigação por transações fictícias e compras simuladas de combustíveis.
Rede internacional de importação de combustíveis
O esquema também incluía a importação de combustíveis com dinheiro ilícito. Entre 2020 e 2024, foram movimentados cerca de R$ 10 bilhões em compras de diesel, nafta e outros hidrocarbonetos por meio de importadoras ligadas ao PCC. A operação foi viabilizada com recursos de distribuidoras e usinas controladas pela facção.
Fraude fiscal e impacto econômico
A Receita estima que o esquema resultou em uma sonegação superior a R$ 7,6 bilhões em impostos, comprometendo não apenas os cofres públicos, mas também a concorrência no setor de combustíveis. A utilização de postos, distribuidoras e importadoras como fachada para lavagem de dinheiro evidencia o grau de penetração da organização criminosa na economia formal.
A Polícia Federal classificou a operação como uma das maiores já realizadas contra o crime organizado no Brasil, destacando que a estrutura montada pelo PCC tinha ramificações em várias cadeias produtivas e alcançava até o mercado internacional.
