Rejeição a Trump cresce no Brasil e atinge maior nível em pesquisa Genial/Quaest
- Marcus Modesto
- há 6 dias
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A imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registrou novo desgaste junto à opinião pública brasileira. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra que a avaliação negativa do líder norte-americano avançou de forma significativa entre maio e junho, em meio a recentes atritos diplomáticos e comerciais envolvendo os dois países.
De acordo com o levantamento, 45% dos entrevistados têm uma opinião negativa sobre Trump, contra 39% registrados no mês anterior. O crescimento ocorre após medidas adotadas pelo governo americano que repercutiram no Brasil, entre elas a classificação das facções criminosas Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas e o anúncio de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Enquanto a rejeição aumentou, a percepção positiva permaneceu inalterada em 22%. Já a avaliação considerada regular apresentou queda, passando de 33% para 27%.
Os dados também evidenciam diferenças expressivas entre os grupos políticos. O maior avanço da rejeição foi observado entre eleitores identificados com a esquerda não lulista, onde o índice saltou de 66% para 84%. Entre os simpatizantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação negativa alcançou 66%.
No segmento dos eleitores independentes, a percepção desfavorável apresentou estabilidade, passando de 46% para 47%. Já entre os grupos alinhados à direita, os índices continuam mais baixos: 14% entre os eleitores da direita não bolsonarista e 15% entre os bolsonaristas.
Mesmo entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, a rejeição registrou crescimento em comparação ao levantamento anterior. O resultado surge em um período marcado por iniciativas de aproximação entre representantes do campo conservador brasileiro e o governo americano.
Um dos episódios de maior repercussão foi a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca. O parlamentar se reuniu com Trump em um encontro amplamente divulgado por aliados e que movimentou as redes sociais.
Segundo monitoramento da consultoria Arquimedes, a visita gerou cerca de 250 mil publicações envolvendo aproximadamente 55 mil perfis. Apesar da intensa circulação digital, o impacto sobre a opinião pública foi limitado. Quase metade das postagens teve caráter neutro, enquanto as manifestações negativas superaram as positivas.
A pesquisa também avaliou a percepção dos brasileiros sobre os Estados Unidos. Os resultados apontam uma divisão, mas com ligeira predominância das opiniões desfavoráveis. Atualmente, 46% afirmam ter uma visão negativa do país, enquanto 39% declaram uma percepção positiva.
Mesmo diante desse cenário, a maioria dos entrevistados defende a manutenção de uma relação institucional equilibrada entre Brasília e Washington. Para 46%, o relacionamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump deveria ser de aliança estratégica. Outros 31% preferem uma postura independente. Apenas 9% defendem que o Brasil adote uma posição de oposição ao governo americano.
Outro dado que chamou atenção foi o aumento da preocupação com a influência dos Estados Unidos nos assuntos internos brasileiros. Mais da metade dos entrevistados, 51%, afirmou temer algum tipo de interferência americana no país. Já 40% consideram essa preocupação exagerada.
Os números refletem um cenário de crescente sensibilidade da opinião pública em relação às relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em um momento marcado por disputas comerciais, debates sobre soberania e forte polarização política.




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