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Relatório da PF aponta ACM Neto em investigação da Overclean e cita 232 contatos com empresário

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
30 de set.
3 min de leitura

Um relatório sigiloso elaborado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean coloca o ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), no centro das apurações sobre um suposto esquema envolvendo contratos públicos e empresas ligadas ao empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. O documento, produzido em novembro de 2025 e divulgado nesta quarta-feira (30), atribui ao político um papel de liderança dentro da organização investigada.


De acordo com a PF, a análise do material reunido ao longo das fases da operação levou os investigadores a sustentar que ACM Neto teria participado da estruturação do grupo e contribuído para a colocação de pessoas em posições consideradas estratégicas na administração pública.


Um dos elementos destacados no relatório são os registros encontrados no telefone de Marcos Moura. Segundo os investigadores, ACM Neto e o empresário mantiveram 232 contatos entre agosto e dezembro de 2024, número que, na avaliação da PF, indicaria uma relação frequente entre os dois.


A investigação também avançou sobre contratos da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. A PF apura se empresas relacionadas a Moura e ao empresário Alex Parente foram beneficiadas em processos de contratação realizados entre 2024 e 2025.


Entre os nomes citados está Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador durante a gestão de ACM Neto e posteriormente titular da mesma pasta em Belo Horizonte. Segundo a investigação, Barral teria favorecido empresas ligadas aos empresários investigados.


Ao menos três contratos firmados pela Secretaria de Educação de Belo Horizonte estão sob investigação. Conforme informações divulgadas pela PF na 10ª fase da operação, os acordos ultrapassam R$ 80 milhões, enquanto outros procedimentos ainda são analisados. A corporação investiga possíveis crimes de fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.


PF fala em movimentação de R$ 1,4 bilhão


A Overclean começou em dezembro de 2024 e inicialmente apurava suspeitas relacionadas à utilização irregular de recursos públicos e emendas parlamentares. Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão.


Em agosto deste ano, José Marcos Moura e outras 24 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas a fraude, corrupção e lavagem de dinheiro. O relatório da operação também aponta investigações sobre contratos de engenharia e outras contratações públicas.


Na nova frente de apuração, os investigadores sustentam que integrantes do grupo teriam ocupado posições dentro da administração de Belo Horizonte para facilitar a contratação de determinadas empresas.


PF pediu buscas e bloqueio de R$ 77,8 milhões


A Polícia Federal chegou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto. Também pediu o bloqueio de até R$ 77,8 milhões em bens e valores relacionados ao político, valor calculado pela investigação a partir dos pagamentos associados aos contratos analisados.


A Procuradoria-Geral da República apresentou parecer favorável às medidas solicitadas pela PF. O relator da investigação no STF, ministro Kassio Nunes Marques, entretanto, não autorizou a busca contra ACM Neto.


Na decisão, o ministro considerou que os elementos apresentados pela Polícia Federal não eram suficientes, naquele momento, para justificar a medida contra o candidato. Nunes Marques autorizou outras diligências e buscas contra investigados ligados ao caso.


A 10ª fase da Overclean foi deflagrada em 17 de setembro, com 24 mandados de busca e apreensão cumpridos em seis estados. Entre os alvos estavam José Marcos Moura e Bruno Barral.


Candidato nega envolvimento


ACM Neto nega participação nas irregularidades investigadas. Em manifestação divulgada após a nova fase da operação, o candidato afirmou que as acusações fazem parte de uma tentativa de interferência no processo eleitoral da Bahia.


A defesa política do candidato também argumenta que a decisão de Nunes Marques, ao rejeitar o pedido de busca contra ele, demonstraria a insuficiência dos elementos apresentados pela PF.


A investigação, contudo, continua em andamento. O relatório divulgado nesta quarta-feira representa a interpretação dos investigadores sobre o conjunto de provas reunido até aquele momento e não equivale a uma condenação ou decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade de ACM Neto nos fatos apurados.



 
 
 

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