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Resort do tráfico é demolido no Rio após 15 meses de interferências políticas e vazamentos

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 15 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura

Um resort de luxo, localizado em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e atribuído ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, foi demolido nesta semana em uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A destruição do imóvel, que se destacava em meio a casas simples do Complexo de Israel, só aconteceu após 15 meses de adiamentos, supostamente causados por interferências políticas e vazamentos de informações sigilosas.


Segundo fontes ligadas à operação, a demolição do resort — símbolo de ostentação do crime — foi cancelada pelo menos duas vezes. Parlamentares teriam pressionado o comando da Polícia Militar para suspender a ação sob a justificativa de que no local funcionavam projetos sociais. Entre os nomes citados estão o deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, conhecido como Val Ceasa (PRD), e o ex-vereador Ulisses Marins (União).


Políticos negam envolvimento direto


Em nota, Val Ceasa negou ter ido ao batalhão para pedir a suspensão da operação, mas se declarou contra a demolição:

“Quando o vagabundo coloca armamento ou droga dentro da escola, não pode ir lá e derrubar a escola”, afirmou o deputado. Já Ulisses Marins, procurado pela reportagem, preferiu não se pronunciar.


A deputada federal Dani Cunha (União) também teve seu nome associado ao local, já que uma faixa indicando um projeto social em parceria com os três parlamentares foi encontrada no imóvel durante diligências. Cunha negou qualquer envolvimento com os demais políticos ou com a tentativa de impedir a operação.


Vazamento e adiamentos da operação


As tratativas para a demolição começaram em novembro de 2023, em reuniões entre a Polícia Militar, o MPRJ e a prefeitura do Rio. A primeira tentativa de demolir o resort foi marcada para dezembro do mesmo ano, mas foi cancelada após os políticos argumentarem que o espaço seria utilizado para ações sociais voltadas para idosos e crianças.


Uma investigação da Secretaria Municipal de Assistência Social, porém, revelou que nenhum dos projetos estava cadastrado oficialmente. Ainda assim, a operação foi adiada novamente em outubro de 2024, após uma ação policial na região resultar em três mortes por balas perdidas.


Apenas em março de 2025, após sucessivos impasses, a demolição foi finalmente realizada. Segundo um relatório interno da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), houve um pedido da Polícia Civil para que nenhum órgão da prefeitura participasse diretamente da ação. Em nota, a corporação alegou que a decisão visava preservar a segurança dos funcionários municipais.


Ligação política com o território dominado por Peixão


O poder político de Val Ceasa e Ulisses Marins no Complexo de Israel é refletido em seus desempenhos eleitorais. Em 2024, mesmo sem conseguir se reeleger, Marins foi o candidato mais votado em 22 dos 32 locais de votação analisados na região. Já Val Ceasa, em 2022, venceu em 30 dos 33 pontos analisados, consolidando sua influência em áreas controladas pela facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), chefiada por Peixão.


Em setembro de 2024, pichações com os nomes do traficante e do deputado apareceram em muros próximos ao 16º BPM (Olaria) e a outras instalações da Polícia Militar. Val Ceasa atribuiu os grafites a opositores políticos tentando associar sua imagem ao crime organizado.


Investigação em andamento


O MPRJ informou que as informações sobre o possível vazamento e a interferência política foram encaminhadas à Procuradoria-Geral de Justiça para análise e apuração. Não há, até o momento, confirmação de abertura de inquérito contra os parlamentares envolvidos.


A demolição do resort de Peixão simboliza uma vitória na luta contra o crime organizado, mas expõe os desafios das forças de segurança em lidar com a relação entre o tráfico de drogas e a política local.




 
 
 

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