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Tarifaço de Trump escancara fragilidade diplomática do Brasil e ameaça ampliar crise com EUA

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 8 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Brasília – O impasse nas negociações para suspender ou reduzir as sobretaxas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros revela um cenário preocupante para a diplomacia do governo Lula. Apesar de esforços de ministros e de contatos formais com autoridades dos Estados Unidos, integrantes do Palácio do Planalto avaliam como remotas as chances de avanço. Mais do que resistência, há o temor de que Washington esteja disposto a ampliar as retaliações — inclusive contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF).


A sobretaxa de 50% já afeta 35,9% das exportações nacionais, atingindo setores estratégicos como carne e café. Embora alguns produtos — entre eles petróleo, suco de laranja e aeronaves — tenham ficado de fora, a medida representa um golpe direto na competitividade brasileira. Desde abril, quando a primeira rodada de tarifas foi anunciada, ministros como Mauro Vieira, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad buscaram abrir canais de negociação. Todos, porém, esbarram no mesmo obstáculo: as decisões estão centralizadas em Trump, e não há sinais de que o republicano pretenda ceder.


Condição inaceitável e soberania em jogo

A Casa Branca teria condicionado qualquer recuo na política tarifária ao encerramento dos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe e atualmente em prisão domiciliar. Para o Planalto, a exigência é uma interferência direta no Judiciário e um ataque à soberania nacional — além de politizar abertamente uma disputa comercial. Lula, segundo interlocutores, deixou claro que o Brasil está aberto ao diálogo, mas “não vai se humilhar” diante de pressões externas.


Escalada contra o STF

O quadro se agrava com a ofensiva de Trump contra o Supremo. Na semana passada, os EUA aplicaram sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky — medida classificada por juristas como um desvio de finalidade. Vistos de outros sete ministros já haviam sido revogados, e o Planalto teme que novas sanções sejam anunciadas nos próximos dias. No Itamaraty, a percepção é de que o embate com o Judiciário brasileiro vem sendo usado como instrumento de pressão política e eleitoral.


O resultado é um duplo desgaste: o Brasil enfrenta um tarifaço que prejudica exportadores e empregos, enquanto assiste ao agravamento de uma crise diplomática que ameaça ultrapassar o campo econômico. Em meio a esse cenário, a pergunta que paira é se a política externa brasileira terá força para reagir ou se continuará assistindo, de camarote, ao avanço das imposições de Washington.



 
 
 

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