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Trump acusa Brasil de não conter PCC e Comando Vermelho; governo Lula reage

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
17 de set.
3 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom das críticas à política brasileira de combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas. Em documento encaminhado ao Congresso americano na terça-feira (15), o republicano afirmou que o Brasil não teria adotado medidas suficientes contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados pelos Estados Unidos como Organizações Terroristas Estrangeiras.


Segundo Trump, as duas facções teriam transformado o Brasil em uma rota relevante para o fluxo internacional de cocaína. O presidente americano defendeu uma atuação mais dura do governo brasileiro contra os grupos, que, na avaliação apresentada no documento, representariam uma ameaça crescente à segurança internacional.


A manifestação faz parte de um relatório anual do governo dos Estados Unidos sobre países considerados relevantes para a produção ou circulação de drogas ilícitas durante o ano fiscal de 2027. O documento apresenta avaliações específicas sobre diferentes países e não coloca o Brasil entre aqueles que, segundo a legislação americana, teriam demonstrado falha no cumprimento de compromissos internacionais de combate às drogas.


Essa classificação mais severa foi atribuída pelos Estados Unidos a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.


O Brasil também não aparece na relação americana dos principais países identificados como produtores ou pontos de trânsito de drogas ilícitas.


Governo brasileiro contesta avaliação


O Ministério da Justiça e Segurança Pública reagiu às declarações e afirmou que a avaliação de Trump não considera as ações desenvolvidas pelo governo brasileiro contra organizações criminosas.


Em nota, a pasta citou a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que ampliou as penas para integrantes de organizações criminosas e estabeleceu mecanismos voltados ao bloqueio financeiro das facções.


O ministério também destacou operações realizadas por forças federais, com apreensões e ações destinadas a atingir financeiramente grupos criminosos, além de iniciativas do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio.


Segundo o governo brasileiro, o programa reúne medidas relacionadas ao combate ao financiamento das organizações criminosas, fortalecimento do sistema prisional, investigação de homicídios e enfrentamento ao tráfico de armas.


A pasta também ressaltou que Brasil e Estados Unidos já mantêm cooperação na área de combate ao crime organizado transnacional.


O governo Lula lembrou ainda que o presidente brasileiro apresentou pessoalmente, em maio, durante visita a Washington, uma proposta de cooperação com os Estados Unidos envolvendo lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e tráfico de armas. De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil ainda aguarda uma resposta do governo americano sobre as medidas apresentadas.


PCC e CV foram classificados como organizações terroristas pelos EUA


A classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras foi anunciada pelo Departamento de Estado americano em 28 de maio e entrou em vigor em 5 de junho.


A medida permite que autoridades dos Estados Unidos utilizem instrumentos específicos de sanções contra integrantes, financiadores e estruturas relacionadas aos grupos.


Na ocasião, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que as duas organizações estavam entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil e que suas atividades haviam ultrapassado as fronteiras brasileiras.


O governo brasileiro contestou a classificação e defendeu que o enfrentamento às organizações criminosas deve ocorrer com cooperação internacional, mas sob coordenação das autoridades brasileiras e respeito à soberania nacional.


Documento também faz distinções entre governos


Além das críticas ao Brasil, o relatório de Trump apresenta avaliações diferentes sobre governos latino-americanos. Argentina, Equador e El Salvador aparecem associados a medidas que o governo americano considera positivas no combate ao narcotráfico.


O documento também menciona mudanças políticas em países como Bolívia, Colômbia e Peru e destaca novas possibilidades de cooperação com os governos desses países.


Apesar dessas avaliações, vários deles continuam incluídos na relação americana de países considerados relevantes para a produção ou trânsito de drogas. O próprio documento ressalva que essa classificação não significa, necessariamente, falta de cooperação com os Estados Unidos ou ausência de políticas de combate ao narcotráfico.


México e Canadá também são citados no documento, mas com cobranças de Washington para que ampliem as medidas contra o tráfico de drogas e a atuação de organizações criminosas.


A China, por sua vez, é mencionada principalmente pela produção de substâncias químicas precursoras utilizadas na fabricação de drogas sintéticas, como o fentanil.


O documento evidencia, assim, a estratégia do governo Trump de combinar cobrança, sanções e acordos de cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de drogas e às organizações criminosas. No caso brasileiro, a avaliação americana provocou uma resposta direta do Ministério da Justiça, que sustenta que as ações federais de combate ao crime organizado não foram consideradas na crítica apresentada pelo presidente dos Estados Unidos.



 
 
 

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