top of page
Buscar

Trump x Fed: ataque à autonomia do Banco Central abre crise inédita nos EUA

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 26 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

A decisão de Donald Trump de anunciar a saída da economista Lisa Cook do conselho do Federal Reserve (Fed) nesta segunda-feira (25) escancarou um embate sem precedentes entre a Casa Branca e o banco central americano. O gesto, ainda que revestido da retórica de “perda de confiança”, é visto por especialistas como mais um movimento de Trump para enfraquecer a autonomia da instituição e enquadrar a política monetária a seus interesses políticos imediatos.


Cook, primeira mulher negra a ocupar uma vaga no Conselho de Governadores do Fed, reagiu de forma contundente. Em nota assinada por seu advogado, Abbe David Lowell, afirmou que o presidente não tem autoridade legal para afastá-la. “Não vou renunciar. Continuarei a cumprir meus deveres para ajudar a economia americana”, declarou, deixando claro que permanecerá no cargo até decisão judicial.


A ofensiva de Trump se apoia em uma brecha legal que prevê a remoção de membros do conselho “por justa causa”. O problema é que a acusação apresentada — uma suposta fraude hipotecária levantada por Bill Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação — ainda não foi julgada pela Justiça. Juristas avaliam que a interpretação usada pela Casa Branca é frágil e ameaça diretamente o princípio de independência do banco central, um dos pilares da credibilidade econômica dos Estados Unidos.


O episódio soma-se à escalada de pressões contra o Fed. Trump tem atacado o presidente da instituição, Jerome Powell, por resistir a cortes mais agressivos nos juros. Agora, ao tentar afastar Cook, ele amplia o cerco ao colegiado responsável justamente pela definição da política de juros — um sinal perigoso de ingerência política sobre um órgão que deveria se manter blindado de ciclos eleitorais.


A crise abre caminho para uma batalha judicial que pode redefinir os limites da relação entre Executivo e Banco Central. Mais do que uma disputa pessoal, o que está em jogo é a confiança global na economia americana. Se a autonomia do Fed for corroída, o impacto pode ir muito além de Washington — atingindo mercados, investidores e a credibilidade dos EUA como referência de estabilidade institucional.


 
 
 

Comentários


bottom of page