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União Brasil transforma fundo partidário em passaporte para turismo de luxo

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 1 de ago.
  • 2 min de leitura

A nova polêmica envolvendo o União Brasil escancara, mais uma vez, o uso dissimulado de recursos públicos sob a justificativa de “missões partidárias”. O partido — dono da terceira maior fatia do fundo partidário no país — decidiu bancar a ida de parte de sua cúpula a uma conferência ambiental na Suécia, evento que coincide quase que milimetricamente com a luxuosa festa de 50 anos do presidente da sigla, Antonio Rueda, marcada para ocorrer em Mykonos, na Grécia. Um itinerário que mistura lobby climático com drinks ao pôr do sol.


Ainda que o partido negue qualquer relação entre a celebração privada e a viagem institucional, é difícil ignorar a coreografia dos fatos: festa de quatro dias numa das ilhas mais caras da Europa, seguida por um congresso ambiental em um hotel cinco estrelas, com diárias que superam R$ 4 mil. E tudo isso patrocinado, ao menos em parte, com dinheiro público — aquele que deveria fortalecer a democracia, a transparência e a formação política.


Pior do que o roteiro de ostentação é a recusa do partido em divulgar os nomes de todos os integrantes da comitiva, nem os valores exatos gastos com passagens, hospedagens e inscrições. A poucos dias do evento, o que se tem é uma nuvem de opacidade sobre quem vai, por quê e quanto vai custar. Sabe-se apenas que entre os contemplados estão irmãos do próprio presidente do partido. Uma coincidência familiar que desafia qualquer senso de ética.


A presença incerta de autoridades como Arthur Lira e o ministro do Turismo, Celso Sabino — que cancelou sua ida após a repercussão negativa — reforça que a iniciativa tem mais a ver com prestígio e turismo do que com interesse real em políticas ambientais. Nem mesmo ACM Neto, nome à frente da fundação ligada ao painel brasileiro no evento, confirmou presença.


E quanto ao evento em si? Painéis bem-intencionados sobre a Amazônia e sustentabilidade, mas organizados por uma entidade desconhecida, com site problemático, sistema de ingressos que não funciona e nenhuma parceria institucional real confirmada na Suécia. Uma das instituições citadas como destino da comitiva brasileira, a agência Vinnova, sequer sabia do evento.


O que sobra, então? A imagem de um partido que confunde fundo partidário com verba de turismo executivo. Um retrato do descaso com o dinheiro público, mascarado por discursos sobre meio ambiente e desenvolvimento. Enquanto brasileiros enfrentam crises econômicas, serviços públicos sucateados e desigualdade crescente, lideranças políticas viajam à Europa para se promover em palcos caros e pouco transparentes.


É preciso colocar um freio nesse tipo de prática. O fundo partidário não é um cofre privado. A sua finalidade é fortalecer o debate político, não bancar festas em ilhas gregas e conferências genéricas em hotéis de luxo. O mínimo que se espera de um partido é responsabilidade com o recurso que vem do bolso do contribuinte. Quando isso falta, sobra cinismo. E a democracia — mais uma vez — paga a conta.

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