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Valdemar, Che e a retórica do absurdo

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 25 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, protagonizou mais uma cena que revela o grau de distorção no debate político brasileiro. Em um seminário do Esfera Brasil, em São Paulo, nesta segunda-feira (25), Valdemar decidiu comparar Jair Bolsonaro a Ernesto “Che” Guevara. A justificativa? O “carisma incomum” e a suposta condição de vítimas de perseguições políticas.


O paralelo soa forçado, beira o ridículo e não resistiu nem mesmo entre os próprios bolsonaristas. A reação foi imediata: críticas em massa nas redes sociais, desconforto no público fiel ao ex-presidente e mais uma crise de imagem criada por quem deveria articular o partido.


Valdemar tentou se retratar em seguida, divulgando nota para negar o que havia dito. A pressa em recuar, porém, escancarou o desastre: além de admitir a comparação, ainda cometeu um erro histórico ao afirmar que Che era cubano — quando, na verdade, o guerrilheiro era argentino.


A cena ilustra bem dois aspectos da política atual: a banalização dos símbolos históricos e a improvisação discursiva de líderes que, sem preparo, tentam sustentar narrativas para manter o eleitorado engajado. Comparar Bolsonaro a Che Guevara não só desagrada a base bolsonarista, como desrespeita a memória de um personagem controverso, mas fundamental na história da América Latina.


No fim, o que fica é a imagem de um dirigente que tropeça nas próprias palavras, cria ruído onde não havia e reforça a percepção de que, para alguns partidos, a estratégia política se resume a frases de efeito sem consistência.



 
 
 

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