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Violência letal recua no Brasil, mas feminicídios e ações policiais preocupam, aponta Anuário 2025

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 23 de jul.
  • 3 min de leitura

O Brasil registrou, em 2025, o menor índice de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), iniciada em 2012. Apesar da redução dos homicídios, o novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que a violência continua concentrada em determinadas regiões e destaca o avanço de crimes contra mulheres, além do aumento das mortes em intervenções policiais.


A taxa nacional caiu para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, resultado de 40.775 vítimas ao longo do ano, uma redução de 8% em relação ao levantamento anterior. É a primeira vez que o indicador fica abaixo da marca de 20 por 100 mil habitantes.


Nordeste concentra cidades mais violentas


As dez cidades com as maiores taxas de mortes violentas do país estão localizadas na Região Nordeste. A Bahia reúne cinco municípios na lista, enquanto Ceará, Pernambuco e Paraíba também aparecem entre os estados com os índices mais elevados.


Pelo segundo ano consecutivo, Maranguape (CE) lidera o ranking nacional, alcançando a marca de 100,3 mortes violentas por 100 mil habitantes, sendo o único município brasileiro a ultrapassar esse patamar.


Na sequência aparecem:

1. Maranguape (CE) – 100,3

2. Eunápolis (BA) – 85,1

3. Maracanaú (CE) – 80,7

4. Porto Seguro (BA) – 71,2

5. Simões Filho (BA) – 68,1

6. Jequié (BA) – 67,4

7. Caucaia (CE) – 66,6

8. Cabo de Santo Agostinho (PE) – 65,1

9. Santa Rita (PB) – 60,9

10. Juazeiro (BA) – 55,8


O levantamento considera homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.


Amapá segue na liderança entre os estados


Entre as unidades da federação, o Amapá continua apresentando a maior taxa de violência letal do país, com 42,5 mortes por 100 mil habitantes, embora tenha registrado queda em relação ao ano anterior.


A Bahia permanece na segunda posição, seguida pelo Ceará, ambos também apresentando redução nos índices.


No extremo oposto, Santa Catarina passou a ser o estado menos violento do Brasil, com taxa de 7,6 mortes por 100 mil habitantes, ultrapassando São Paulo, que agora registra 7,8.


Segundo o estudo, 19 estados e o Distrito Federal reduziram suas taxas de mortes violentas em 2025, enquanto sete estados apresentaram aumento.


Feminicídios atingem maior nível da série histórica


Embora os assassinatos em geral tenham diminuído, os crimes contra mulheres cresceram e bateram recorde.


O Anuário mostra que, em média, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia no Brasil durante 2025. Além disso, houve aumento nos registros de violência psicológica, perseguição (stalking), descumprimento de medidas protetivas e ameaças.


Outro dado preocupante é que, para cada feminicídio consumado, foram registradas aproximadamente três tentativas.


Mortes em ações policiais aumentam


O estudo também aponta crescimento de 5% nas mortes provocadas por intervenções policiais, enquanto o número de agentes de segurança mortos apresentou redução de 3%.


Na área dos crimes digitais, houve avanço de 25% nos registros relacionados à produção, posse ou compartilhamento de material de abuso sexual infantil. Já os casos de bullying e cyberbullying envolvendo crianças e adolescentes cresceram mais de 60%, impulsionados também pela criação de uma tipificação penal específica.


População carcerária continua crescendo


Enquanto o número de adolescentes em medidas socioeducativas segue em queda, a população prisional voltou a aumentar.


O Brasil encerrou 2025 com cerca de 964 mil pessoas privadas de liberdade, crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Mantida essa tendência, o país poderá ultrapassar a marca de um milhão de presos até 2027, segundo projeção do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


O levantamento também chama atenção para o cenário das armas de fogo. Atualmente, cerca de 2,1 milhões de pessoas possuem autorização para manter armamentos, incluindo aproximadamente um milhão de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores). Ao todo, 1,6 milhão de armas estão registradas, mas quase 30% desses registros encontram-se vencidos, de acordo com o estudo.

Foto Reprodução


 
 
 

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