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Violência no campo cresce mesmo com queda de conflitos, aponta relatório da CPT

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

A Comissão Pastoral da Terra divulgou nesta segunda-feira (27) a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil, revelando um cenário preocupante: apesar da redução no número total de ocorrências, os casos mais graves de violência aumentaram significativamente em 2025. Os dados foram publicados originalmente pela Agência Brasil.


Segundo o levantamento, os conflitos no campo caíram 28%, passando de 2.207 registros em 2024 para 1.593 em 2025. Em contrapartida, os assassinatos dobraram, saltando de 13 para 26 vítimas. A maior concentração dessesu crimes ocorreu na Amazônia Legal, especialmente nos estados do Pará, Rondônia e Amazonas.


Para a integrante da articulação das CPTs da Amazônia, Larissa Rodrigues, os dados refletem um processo histórico de exploração da região. Ela aponta que há um avanço contínuo de interesses econômicos sobre territórios tradicionais, com impacto direto sobre populações locais.


Fazendeiros lideram casos de violência


O relatório indica que fazendeiros estão envolvidos em 20 dos 26 assassinatos registrados, seja como mandantes ou executores. Eles também aparecem como principais agentes de violência em conflitos por terra, com 515 ocorrências.


Outros indicadores também apresentaram crescimento expressivo:

• Prisões: de 71 para 111 casos

• Humilhações: de 5 para 142

• Cárcere privado: de 1 para 105


De acordo com Gustavo Arruda, do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, parte desse aumento está ligada à atuação de forças de segurança, com destaque para ações da Polícia Militar em Rondônia durante operações como a chamada Operação Godos, em 2025.


Terra segue como principal foco dos conflitos


Os conflitos por terra continuam predominando, representando 75% dos casos (1.186 registros). Na sequência aparecem:

• Conflitos trabalhistas (10%)

• Disputas pela água (9%)

• Acampamentos e ocupações (6%)


Entre as principais vítimas estão povos indígenas, posseiros e quilombolas. Já entre os agentes causadores de conflitos envolvendo recursos hídricos, destacam-se mineradoras, garimpeiros, empresários e grandes proprietários rurais.


Trabalho escravo avança e resgates aumentam


O relatório também revela crescimento nos casos de trabalho escravo contemporâneo, com alta de 5% em 2025, totalizando 159 ocorrências. O número de trabalhadores resgatados chegou a 1.991 — aumento de 23% em relação ao ano anterior.


Um dos episódios mais graves foi registrado em Porto Alegre do Norte (MT), onde 586 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes durante a construção de uma usina. As vítimas, em sua maioria, vieram das regiões Norte e Nordeste e enfrentavam alojamentos precários, falta de água, alimentação insuficiente e ausência de energia.


As atividades com maior incidência desse tipo de crime incluem construção de usinas, lavouras, produção de cana-de-açúcar, mineração e pecuária.


Nova plataforma amplia monitoramento


Durante o lançamento do relatório, a CPT também anunciou o Observatório Socioambiental, desenvolvido em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza. A ferramenta reúne dados de 1980 a 2023 sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão agrícola no país.


A plataforma permitirá cruzar informações em ambiente digital interativo, com análises por estados e municípios, evidenciando a relação entre avanço econômico e conflitos socioambientais no Brasil.



 
 
 

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