top of page
Buscar

A PEC da Hipocrisia: Como a Bancada Evangélica Usa a Fé Para Justificar Privilégios

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 7 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

Política:

A bancada evangélica mais uma vez demonstra que seu compromisso não é com a fé, mas com o privilégio. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade tributária de templos religiosos é mais um escândalo disfarçado de proteção à liberdade religiosa. O relator do projeto, Fernando Máximo (União-RO), já articula com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para colocar a proposta em votação ainda este mês.


A Constituição já garante isenção de tributos para templos religiosos, incluindo impostos sobre patrimônio, renda e serviços essenciais. Mas, para a bancada evangélica, isso não basta. A nova PEC quer eliminar até mesmo tributações indiretas, como o imposto sobre a conta de luz ou sobre materiais de construção usados na igreja. Na prática, seria um cheque em branco para que esses templos se tornassem impérios financeiros intocáveis, financiados pelo resto da sociedade.


O governo Lula, por sua vez, tenta negociar “travas” na PEC para impedir abusos descarados, como isenção para restaurantes dentro de templos ou para líderes religiosos que compram carros de luxo. Mas a bancada evangélica não quer saber de restrições. Parlamentares mais radicais afirmam que qualquer limite “destrói o coração da proposta”. O coração da proposta, ao que tudo indica, não é a fé, mas a isenção tributária irrestrita.


O jogo político por trás da PEC é ainda mais revelador. A bancada evangélica vê na proposta uma chance de fortalecer seu poder dentro do Congresso. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), próximo ao governo, trabalha para garantir a aprovação e, com isso, se cacifar como coordenador da bancada evangélica. Mas sua aproximação com Lula gera resistência entre os bolsonaristas, que lançaram o nome de Gilberto Nascimento (PSD-SP) para disputar o posto.


Enquanto isso, o cidadão comum segue pagando impostos sobre luz, aluguel, comida e combustível. Mas para os templos e seus líderes, o objetivo é outro: ampliar ainda mais os privilégios sob a justificativa da fé. A pergunta que fica é: até quando o Estado brasileiro continuará refém dessa chantagem religiosa?



 
 
 

Comentários


bottom of page