Alexandre Caneda e o enterro simbólico do Carnaval de Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 27 de jan.
- 2 min de leitura
O retorno do Carnaval de Barra Mansa para o antigo quartel não é erro técnico, nem decisão circunstancial. É um ato político. E, como todo ato político, tem nome, sobrenome e responsável: Alexandre Caneda, Presidente da Fundação de Cultura de uma cidade que já teve Carnaval de rua, de povo, de identidade — e hoje assiste à sua maior festa ser empurrada para o isolamento.
Levar o Carnaval de volta ao antigo quartel é tratar a cultura popular como problema. É confinar a alegria, afastar o povo, esvaziar o comércio e matar qualquer resquício de espontaneidade. Não é organização. É desistência.
O que se espera de um secretário de Cultura fraco?
Exatamente isso.
Caneda não apresenta projeto, não lidera debate, não escuta os blocos, não dialoga com artistas, produtores ou a cidade real. Atua como síndico do silêncio, alguém que administra a Cultura para que ela não apareça, não faça barulho e não incomode.
O Carnaval, sob sua gestão, deixa de ser manifestação cultural e passa a ser tratado como caso de polícia, algo que precisa ser contido, cercado e escondido. É a lógica da mediocridade administrativa: quando não se sabe fazer, se restringe.
Barra Mansa não perdeu o Carnaval por falta de tradição. Perde porque falta coragem política. Falta alguém que entenda que cultura se constrói na rua, no conflito, na diversidade — não atrás de muros e grades.
A decisão de empurrar a folia para o quartel não é neutra. Ela comunica desprezo pela cultura popular, pela economia criativa e pela memória coletiva da cidade. Comunica que o Carnaval deve existir apenas se couber no canto que não atrapalha.
Querem enterrar o Carnaval de Barra Mansa?
O processo já começou — e Caneda segura a pá com firmeza.
Enquanto outras cidades transformam seus carnavais em ativos culturais, turísticos e econômicos, Barra Mansa faz o caminho inverso: apequena, esconde e sufoca. Não por falta de recursos, mas por falta de visão.
Alexandre Caneda passará pela Secretaria sem deixar legado, sem identidade e sem marca positiva. Será lembrado, se for, como o gestor que assistiu ao esvaziamento do Carnaval sem reagir — ou pior, como quem ajudou a empurrá-lo para o buraco.
Cultura não se administra com medo.
Carnaval não se faz com contenção.
E cidade nenhuma constrói futuro enterrando sua própria festa.
Se isso é política cultural, Barra Mansa está em luto.
Foto Yuri Melo




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