top of page
Buscar

Amazônia registra menor área sob alerta de desmatamento em uma década, aponta Inpe

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

A Amazônia registrou uma redução de 36,87% na área sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ao todo, foram identificados 2.874,38 km² sob alerta no período, o menor resultado desde o início da série histórica do sistema, em 2016.


No ciclo anterior, entre agosto de 2024 e julho de 2025, os alertas haviam alcançado 4.495 km². O resultado mais recente também representa uma redução de 55,6% em relação à média dos dez últimos ciclos de monitoramento.


Os números foram apresentados nesta sexta-feira (7), na sede do Inpe, em São José dos Campos (SP), durante as comemorações pelos 65 anos da instituição.


Pará concentra maior área sob alerta


Entre os estados que integram a Amazônia Legal, o Pará apresentou a maior extensão de área sob alerta, com 987,27 km². Na sequência aparecem Mato Grosso, com 834,41 km²; Amazonas, com 433,9 km²; Roraima, com 272,6 km²; Acre, com 153,8 km²; e Rondônia, com 114,3 km².


Na comparação com o período anterior, Mato Grosso apresentou queda de 49% nos alertas. O Amazonas teve redução de 46,7%, Rondônia caiu 41,2%, o Acre recuou 35,3% e o Pará apresentou diminuição de 25,5%.


Roraima destoou da tendência registrada nos demais estados. No território, os alertas de desmatamento cresceram 32,5%.


Cerrado também apresenta redução


O monitoramento do Deter também apontou queda no desmatamento no Cerrado. Foram identificados 5.119,46 km² sob alerta entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 7,8% em relação ao ciclo anterior.


Uma diferença importante em relação à Amazônia é a característica das áreas monitoradas no Cerrado: grande parte dos territórios identificados pelo sistema está localizada em propriedades privadas.


O Deter utiliza imagens de satélite para detectar rapidamente mudanças na cobertura vegetal. Os alertas servem como ferramenta para orientar a fiscalização e permitir que os órgãos ambientais atuem diante de possíveis áreas de desmatamento.


Prodes confirma tendência de queda


Os dados do Deter se somam aos resultados consolidados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também desenvolvido pelo Inpe.


Segundo o Prodes, o desmatamento em todo o país caiu 20,1% em 2025 na comparação com o ano anterior. A redução foi registrada em todos os biomas brasileiros.


O Pantanal apresentou a maior queda, de 65,4%, seguido pelo Pampa, com 41,7%. Na Caatinga, a redução foi de 34,3%. Na Amazônia, o recuo chegou a 15,8%, enquanto o Cerrado apresentou queda de 11,5%.


Enquanto o Deter é utilizado principalmente para identificar rapidamente áreas com indícios de desmatamento, o Prodes calcula a taxa anual consolidada e é considerado a principal referência oficial para acompanhar a evolução da perda de vegetação.


Dados ganham dimensão política


A divulgação dos números ocorreu com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aproveitou a apresentação para destacar a redução do desmatamento no debate sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.


Lula afirmou que os dados ambientais do Inpe deveriam ser utilizados pelo governo brasileiro nas discussões relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em tom bem-humorado, disse que pretendia utilizar uma fotografia diante dos dados do instituto para “mandar para o Trump”.


O presidente também afirmou que o Brasil precisa apresentar ao mundo os resultados obtidos na área ambiental e defendeu o papel do país nas discussões internacionais sobre mudanças climáticas.


Entidades ambientais comemoram resultado


Organizações ligadas à preservação ambiental avaliaram positivamente os números divulgados pelo Inpe.


O Observatório do Clima classificou os resultados como históricos e afirmou que a redução demonstra a possibilidade de o país avançar em direção à meta de eliminar o desmatamento até 2030.


O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) também considerou os dados positivos. Para a entidade, a sequência de reduções indica uma possível consolidação da tendência de queda e reforça a perspectiva de o Brasil avançar no cumprimento da meta de desmatamento zero.


Apesar dos números favoráveis, o monitoramento permanece como instrumento essencial para a fiscalização. A existência de alertas ainda representa perda de cobertura vegetal e mantém o desafio de transformar a redução registrada em uma trajetória permanente de proteção da Amazônia e dos demais biomas brasileiros.


:::

 
 
 
bottom of page